Agronegócio

Exportação de carne bovina cai 35% em setembro sem a China

Com a cota chinesa esgotada, embarques ao país asiático caíram 93%, segundo a Abiec; vendas aos Estados Unidos quase quintuplicaram.

Ilustração abstrata em tons de vermelho-brasa e dourado, com faixas que lembram pastagens e a linha do horizonte
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Nesta quarta-feira (7), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) divulgou os números de setembro. O Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina no mês, 35,1% a menos que em setembro de 2025. A receita somou US$ 1,38 bilhão, queda de 27,6%.

A explicação está na China, a maior compradora da carne brasileira. Os chineses levaram só 12,9 mil toneladas em setembro, 93,2% a menos que um ano antes. Em valor, foram US$ 75,2 milhões, queda de 92,9%, segundo os dados da Abiec publicados pelo portal Brasilagro.

A cota chinesa acabou

Desde 1º de janeiro de 2026, a China aplica uma salvaguarda à carne bovina importada. Salvaguarda é uma medida de defesa comercial que limita as compras do exterior para proteger os criadores locais. Para o Brasil, o limite de 2026 era de 1,106 milhão de toneladas.

Dentro da cota, a carne paga a tarifa normal de 12%. Acima dela, entra uma sobretaxa de 55%, e a cobrança total sobe para 67%. Segundo o Ministério do Comércio da China, o Brasil atingiu o limite no fim de setembro. A sobretaxa passou a valer em 1º de outubro.

Mesmo com a queda, a China segue no topo da lista. De janeiro a setembro, recebeu 912 mil toneladas, o equivalente a 37,5% de todo o volume exportado pelo Brasil, segundo a Abiec.

Estados Unidos ganham espaço

Outros mercados compraram mais, mas não o bastante para cobrir o buraco. Os Estados Unidos levaram 48,3 mil toneladas em setembro, alta de 389% sobre o mesmo mês de 2025. É quase cinco vezes o volume de um ano antes. No acumulado do ano, os americanos somam 317,4 mil toneladas, 45% a mais.

O que diz a Abiec: Em nota reproduzida pelo Brasilagro, a entidade afirmou que “o desempenho do mês segue refletindo principalmente a forte redução dos embarques para a China”. Disse ainda que há “alguns alentos em outros mercados”, mas que eles “ainda não são capazes de substituir automaticamente a demanda chinesa”.

O risco para 2027

A cota de 2027 será de 1,128 milhão de toneladas, só 22 mil toneladas a mais que a deste ano. Segundo o site Economic News Brasil, a Abiec teme que ela se esgote já em março. Por isso, as empresas começam a vender para a China em outubro e novembro, para que a carne chegue lá no novo ciclo da cota.

O setor também discute com o governo uma forma de espalhar os embarques ao longo do ano. “Do ponto de vista de negócio, o melhor seria distribuir essas vendas ao longo do ano”, disse o presidente da Abiec, Roberto Perosa, ao Brasilagro.

O governo brasileiro tenta negociar com Pequim. Uma das saídas seria usar a sobra da cota do Uruguai, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter sido liberada pelos uruguaios. Segundo a Forbes, porém, a troca depende de aval da China, que não havia sido dado até o fim de setembro.

Até dezembro, toda carne brasileira que entrar na China pagará 67% de tarifa. Para frigoríficos e pecuaristas, o ritmo das vendas em 2027 vai depender de duas coisas. Uma é a velocidade com que a nova cota for usada. A outra é o resultado das conversas com Pequim.

Fontes