Agronegócio

G5 prevê agro crescendo 3% em 2026 e freio do PIB em 2027

Primeiro semestre sustenta expansão agrícola; para a economia, G5 projeta 1,5% em 2027 e Rabobank, 2,2%, diferença de 0,7 ponto.

Colheitadeira despeja grãos de soja em caminhão durante a colheita
Colheita de soja em Rondonópolis, Mato Grosso, em 28 de março de 2009; imagem de arquivo.Foto: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

A agropecuária deve crescer cerca de 3% em 2026, segundo projeção da G5 Partners divulgada na quinta-feira (5). O desempenho seria sustentado principalmente pelo primeiro semestre. Para a economia inteira, a instituição estima expansão entre 1,7% e 1,8%.

O Produto Interno Bruto (PIB) reúne bens e serviços produzidos no país. Pela conta de Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5, o setor agrícola responderia por cerca de um terço do crescimento econômico deste ano.

Projeções para 2027 se distanciam

A G5 espera desaceleração do PIB brasileiro para 1,5% em 2027. O Rabobank prevê 2,2%. A diferença de 0,7 ponto percentual mostra que a recuperação da demanda interna ainda divide os economistas.

O banco projeta retomada dos cortes da Selic, a taxa básica de juros, a partir de março. A G5 vê riscos de juros altos por mais tempo. Entre eles estão El Niño, câmbio e incertezas sobre preços.

Agro cresce mais que a economia, mas cenários divergem Projeções divulgadas em 5 de novembro de 2026

Indicador e ano G5 Partners Rabobank
Agropecuária em 2026 Cerca de 3% Não informado nesta comparação
PIB total em 2026 1,7% a 1,8% 1,8%
PIB total em 2027 1,5% 2,2%

Fonte: G5 Partners e Rabobank. As projeções têm premissas próprias e podem ser revisadas.

O Rabobank reconhece riscos de revisão para baixo. O cenário de 2,2% considera recuperação gradual do consumo. Juros elevados por mais tempo e menor estímulo fiscal limitariam esse avanço.

Primeiro semestre carrega o ano

A agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre, acima do esperado pela G5. Para o terceiro, os sinais são menos favoráveis. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), uma prévia do PIB, sugere estabilidade ou retração.

Leal calcula efeito estatístico de queda de 1,12% no trimestre mesmo com setembro estável. Ele ressalva que o recuo efetivo pode ser menor. Arroz e café estão entre as incertezas citadas.

O resultado oficial do terceiro trimestre será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2 de dezembro. Até lá, a leitura permanece uma projeção baseada em indicadores parciais.

Para o interior, desacelerar não significa necessariamente produzir menos em todas as culturas. O PIB mede valor adicionado, não apenas toneladas. Preços, custos e composição da produção influenciam o resultado.

Também há diferença entre agro e economia local. Um setor menos dependente do crédito doméstico pode crescer enquanto comércio e serviços perdem força. O Rabobank vê agropecuária e indústria extrativa como exceções à desaceleração disseminada.

O que dizem G5 e Rabobank: Leal afirma que o primeiro semestre sustentará a expansão agrícola de 2026 e projeta 1,5% para o PIB em 2027. Renan Alves, do Rabobank, vê recuperação gradual da demanda, mas reconhece riscos fiscais, de juros e revisão das estimativas.

A diferença entre os cenários afeta investimento, contratação e financiamento no campo. O dado de dezembro ajudará a medir o freio. As próximas decisões do Banco Central e o clima definirão se a recuperação de 2027 será mais lenta ou mais firme.

Como fizemos: Comparamos as projeções da G5 Partners e do Rabobank publicadas em 5/11/2026. Calculamos a diferença de 0,7 ponto percentual entre os cenários de 2027 e separamos PIB agropecuário de PIB total. Não tratamos o IBC-Br como resultado oficial nem produção física como sinônimo de valor adicionado.

Fontes