Agropecuária cresce 2,8% no segundo trimestre e puxa o PIB
O PIB subiu 0,5% de abril a junho, segundo o IBGE; soja e café levaram a agropecuária a crescer 6,8% sobre o mesmo período de 2025.

Nesta terça-feira (1º), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. O PIB é a soma de tudo o que o país produz. De abril a junho, a economia cresceu 0,5% em relação aos três meses anteriores.
A agropecuária foi o setor que mais avançou, com alta de 2,8% no trimestre. A indústria subiu 0,1%, e os serviços, 0,2%. Esses números usam a série com ajuste sazonal, que desconta os efeitos típicos de cada época do ano.
O campo na comparação com 2025
Frente ao segundo trimestre de 2025, a agropecuária cresceu 6,8%. O PIB total avançou 2,0% no mesmo período. No primeiro semestre, o setor acumula alta de 3,6%, contra 1,9% da economia como um todo.
Segundo o IBGE, o resultado veio principalmente de lavouras com colheita importante no segundo trimestre. A pecuária também ajudou. O instituto usa as estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), sua pesquisa mensal de safras.
Nessa conta, a produção de soja subiu 5,3%, e a de café, 15,1%. Do outro lado, o arroz caiu 11,3%, e o algodão, 6,7%. O milho ficou estável.
O que o IBGE chama de agropecuária
Nas contas nacionais, a agropecuária é o que acontece da porteira para dentro. Entram a agricultura, a pecuária, a produção florestal, a pesca e a aquicultura, que é a criação de peixes e outros animais na água. O indicador mede o valor que essas atividades acrescentam à economia.
Ficam de fora o trator vendido na revenda, o adubo, a fábrica de óleo de soja e o caminhão que leva a safra ao porto. Nas contas do IBGE, essas atividades entram na indústria e nos serviços.
Por isso, o número do IBGE não é o mesmo do “PIB do agronegócio”. Esse outro indicador é calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O trabalho tem apoio financeiro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O PIB do agronegócio soma quatro segmentos: insumos, produção primária, agroindústria e agrosserviços. Ou seja, vai do adubo comprado antes do plantio até o comércio e o transporte do produto final. Segundo o Cepea, o agronegócio deve responder por 22,8% da economia brasileira em 2026.
Os dois números são úteis, mas respondem a perguntas diferentes. O do IBGE mostra quanto a produção no campo cresceu. O do Cepea mostra o peso de toda a cadeia ligada ao campo.
O que diz o IBGE: Na divulgação reproduzida pela Agência Gov, o IBGE atribuiu a alta anual “principalmente, a alguns produtos da lavoura”, com safras significativas no segundo trimestre. Também citou “um bom desempenho da Pecuária”. Os dados completos estão na página das Contas Nacionais Trimestrais.
O resultado confirma o peso da safra no ritmo da economia em 2026. O efeito, porém, muda ao longo do ano. A colheita da soja se concentra no primeiro semestre, e o próximo trimestre vai mostrar se outras lavouras e a pecuária sustentam o fôlego do campo.
Fontes
- Com 0,5% no segundo trimestre, PIB cresce 1,9% até junho, aponta IBGE — Agência Gov
- PIB do Brasil cresce 0,5% no segundo trimestre de 2026 impulsionado pelo agro — Movimento Econômico
- Contas Nacionais Trimestrais — IBGE
- Levantamento Sistemático da Produção Agrícola — IBGE
- PIB do Agronegócio Brasileiro — Cepea/Esalq-USP


