Nitrogenados têm 25% de atraso, e safrinha enfrenta risco
Rabobank não espera recuperação do volume em 2026; entregas de fertilizantes devem cair 9,3% neste ano e reagir 5% em 2027.

As importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados estão cerca de 25% atrasadas na comparação com o ritmo de 2025. A avaliação foi apresentada pelo Rabobank na quinta-feira (5). O banco não prevê recuperação desse atraso até dezembro.
O alerta alcança produtos como ureia e sulfato de amônio. Esses insumos fornecem nitrogênio, nutriente ligado ao crescimento das plantas. A segunda safra de milho e as áreas de renovação da cana estão entre as demandas próximas.
Entregas caem depois do recorde
O Rabobank estima entregas de 44,42 milhões de toneladas de fertilizantes no Brasil em 2026. O volume representa queda de 9,3% ante as 49 milhões registradas em 2025. Para 2027, a projeção é de alta de 5%, para 46,64 milhões.
Mesmo com a reação esperada, o volume de 2027 ficaria 4,8% abaixo do recorde de 2025. A comparação mostra que a recuperação da demanda não significa retorno imediato ao patamar anterior.
Entregas projetadas não recuperam todo o recorde de 2025 Fertilizantes entregues no Brasil, em milhões de toneladas
| Ano | Volume | Situação |
|---|---|---|
| 2025 | 49,00 | Recorde registrado |
| 2026 | 44,42 | Estimativa, queda de 9,3% |
| 2027 | 46,64 | Projeção, alta de 5% |
Fonte: Rabobank. Percentuais calculados pela redação sobre os volumes informados.
O banco atribui parte da retração ao conflito no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz. A rota influencia o transporte internacional de insumos. Custos maiores e demanda cautelosa reduziram as compras.
Gás e calendário pressionam juntos
O gás natural é insumo central na fabricação de nitrogenados. O analista Bruno Fonseca, do Rabobank, citou a referência europeia TTF perto de US$ 100 por megawatt-hora na semana anterior. Antes, os níveis estavam perto de US$ 30. O movimento pode encarecer novos embarques.
O plantio adiantado da soja abre outra frente. Segundo a analista Marcela Marini, a cautela anterior refletia o risco de atraso causado pelo El Niño. Com o avanço da semeadura, o produtor pode voltar a comprar para a safrinha.
Essa retomada concentraria pedidos em menos tempo. O risco, portanto, não é apenas falta física do produto. Também inclui preço, prazo de entrega e capacidade de planejar a aplicação.
O produtor precisa separar duas contas. Uma é a disponibilidade do nutriente na janela agronômica. Outra é a relação entre o custo do fertilizante e o preço esperado para o milho. Comprar sem essa comparação pode apertar a margem.
O que diz o Rabobank: Fonseca afirmou que não acredita na eliminação do atraso até o fim do ano. O banco prevê alguma recuperação das importações se não houver escalada dos conflitos, mas custo e demanda devem continuar influenciando os preços.
A projeção para 2027 depende de margens mais estáveis e da reposição de nutrientes no solo. Não é garantia de preço menor. As próximas compras, o gás internacional e o ritmo dos portos mostrarão se o atraso deixará de crescer.
Como fizemos: Comparamos os volumes e cenários divulgados pelo Rabobank em 5/11/2026. Calculamos as variações de 2025 para 2026, de 2026 para 2027 e de 2025 para 2027. Os dados são estimativas para o mercado total de fertilizantes; o atraso de 25% se refere especificamente aos nitrogenados.
Fontes
- Importação de nitrogenados está 25% atrasada — CNN Brasil (acesso em 06/11/2026)
- Rabobank projeta safra e exportações menores — Notícias Agrícolas (acesso em 06/11/2026)
- Aplicação de ureia granulada — Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0) (acesso em 06/11/2026)


