Agronegócio

Algodão sobe 2,48% no Brasil e se descola de Nova York

Preço no polo paulista vai a R$ 4,13 por libra-peso sem ICMS; Imea prevê área maior no MT, mas produtividade 6,01% menor.

Imagem de satélite de áreas agrícolas e vegetação nativa em Alto Taquari, Mato Grosso
Lotes agrícolas com soja e algodão em Alto Taquari, Mato Grosso, em imagem de satélite de 31 de janeiro de 2019.Foto: Oton Barros / INPE / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A pluma de algodão subiu 2,48% no polo industrial paulista nesta semana, enquanto os preços recuavam na Bolsa de Nova York. A indicação chegou a R$ 4,13 por libra-peso, sem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os dados são da Safras & Mercado, divulgados nesta sexta-feira (6).

Pluma é a fibra separada das sementes do algodão. No Brasil, produtores limitaram a oferta e compradores adquiriram lotes pontuais. O movimento mostra que o mercado interno não reproduziu a direção externa, mas a baixa liquidez não confirma uma tendência duradoura.

Alta doméstica tem poucos negócios

Na semana anterior, a indicação paulista era de R$ 4,03 por libra-peso. A alta semanal corresponde a R$ 0,10. As indústrias trabalharam com estoques reduzidos e reposição imediata, enquanto parte dos vendedores aguardou condições melhores.

Em Rondonópolis, no Mato Grosso, a indicação passou a R$ 129,46 por arroba. O valor equivale a R$ 3,91 por libra-peso e representa ganho semanal de R$ 2,19 por arroba. Arroba é a unidade de 15 quilos usada nas negociações agrícolas.

Preços internos sobem em duas praças acompanhadas Indicações semanais para o algodão no mercado brasileiro

Praça e unidade Semana anterior Atual Variação
Polo paulista, R$/libra-peso 4,03 4,13 +2,48%
Rondonópolis, R$/arroba 127,27 129,46 +1,72%

Fonte: Safras & Mercado. Preço anterior e variação de Rondonópolis calculados pela redação. Valores sem ICMS no polo paulista.

A comparação não significa que todos os lotes tenham sido vendidos nesses valores. São indicações de mercado, com negociações pontuais. Qualidade da fibra, localização e condições comerciais alteram o preço efetivo de cada operação.

Área cresce, produtividade estimada cai

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) manteve a área de algodão 2026/27 em 1,43 milhão de hectares. O número fica 3,84% acima da safra anterior. O instituto relaciona a expansão aos preços mais favoráveis observados durante o planejamento.

A produtividade inicial foi projetada em 310,39 arrobas de algodão em caroço por hectare. Isso equivale a cerca de 4,66 toneladas por hectare, considerando 15 quilos por arroba. O caroço reúne fibra e sementes antes da separação industrial.

Apesar da expansão da área, a produtividade estimada recua 6,01% ante o recorde da temporada anterior. Mesmo assim, seria a quarta maior da série do Imea. Os dois indicadores mostram que mais hectares não garantem crescimento na mesma proporção da produção.

O El Niño permanece como risco por causa da possível irregularidade das chuvas. A consultoria também alerta que atrasos na colheita da soja podem postergar o algodão de segunda safra. Esse atraso aumentaria a exposição das plantas à falta de água, mas ainda não configura perda medida.

O que dizem Safras e Imea: A Safras registra alta doméstica com negócios pontuais e produtores dosando a oferta. O Imea aponta expansão da área após preços favoráveis, mas projeta produtividade menor e mantém o clima e o calendário entre os riscos da nova safra.

Os próximos negócios indicarão se a diferença em relação a Nova York continuará. Para a nova safra, área, chuva e data de colheita da soja precisam ser avaliados em conjunto. A alta semanal melhora a referência de venda, mas não resume a rentabilidade nem elimina o risco climático.

Como fizemos: Consultamos o boletim da Safras & Mercado publicado em 6/11/2026, com dados do Imea. Calculamos preço anterior e variação em Rondonópolis e convertemos arrobas para toneladas. As projeções foram mantidas separadas dos preços atuais, sem estimar produção ou renda não informadas pelas fontes.

Fontes