Agronegócio

Quedas do Ibovespa voltaram, mas em prazos bem diferentes

Em cinco grandes quedas do Ibovespa, a recuperação veio em prazos diferentes. Em 2008, o índice ainda estava abaixo do topo quase dois anos depois.

Fachada de prédio de pedra com três portas de ferro em arco e a marca BOVESPA em letras douradas
Fachada com a marca Bovespa, no centro de São Paulo, em foto de fevereiro de 2017.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O índice reúne as ações mais negociadas na B3, a bolsa de valores de São Paulo. Às 9h57, a queda de 10% acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende os negócios por 30 minutos.

O dólar comercial subiu mais de 8%. O InfoMoney ligou a reação do mercado à reeleição de Lula. Diante de uma queda assim, volta a pergunta: o que a história mostra sobre quem entra depois de grandes quedas? Este texto reúne episódios com datas e números verificados, e mostra também os limites desse histórico.

Cinco quedas e o que veio depois

A tabela reúne grandes quedas do Ibovespa. São casos bem documentados, escolhidos pelo tamanho. Não formam uma amostra estatística.

Recuperações vieram em prazos diferentes, e algumas quedas continuaram Variação do Ibovespa no período indicado; pontos no fechamento, quando informados

Período Queda O que veio depois
2002, seis meses antes da eleição quase 30% alta de cerca de 27% no semestre seguinte
2008, após o pico de 20/05 41,22% no ano; 11,39% em 15/10 em 31/03/2010, 4,28% abaixo do recorde
18/05/2017, delação de Joesley 8,8% 74.319 pontos em 11/09/2017, recorde da época
2015 e início de 2016 13,31% em 2015; 39.950 pontos em 11/01/2016 alta de 38,94% em 2016
Pandemia, março de 2020 mínimo de 63.569 pontos em 23/03 119.017 pontos em 30/12/2020, abaixo da máxima de janeiro
26/10/2026 13,88%, para 176.608 pontos ainda sem desfecho

Fonte: InfoMoney, Trademap, Suno (com dados da Economatica), JB, Poder360. Elaboração: redação.

Em 2002, o índice caiu quase 30% nos seis meses antes da eleição de Lula. Depois, subiu cerca de 27% no semestre seguinte, segundo a Trademap. Não confirmamos a queda anual daquele ano em outra fonte.

Em 2008, o índice teve quedas de 11,39% em 15 de outubro e de 10,18% em 22 de outubro, segundo a Suno. Em 31 de março de 2010, ainda estava 4,28% abaixo do recorde, segundo o InfoMoney.

Em 18 de maio de 2017, o Ibovespa caiu 8,8% depois de gravações feitas por Joesley Batista, dono da JBS, no âmbito de sua delação premiada. Em 11 de setembro, fechou em 74.319 pontos, recorde da época, segundo o JB. Não localizamos quando o nível anterior à queda foi retomado.

Entre 2015 e 2016, o índice teve o terceiro ano seguido de queda. Em 11 de janeiro de 2016, fechou no menor nível desde março de 2009. Em 2016, porém, subiu 38,94%, segundo o InfoMoney.

Em 2020, a pandemia de covid-19 levou o índice ao mínimo do ano, de 63.569 pontos, em 23 de março. Em 30 de dezembro, o índice fechou o ano em 119.017 pontos, ainda abaixo da máxima de janeiro, segundo o Poder360.

O que os estudos mostram, e o que não mostram

Um dos estudos citados sobre o tema é da J.P. Morgan Asset Management, com dados da Morningstar, empresa de dados de investimento. Ele usa o S&P 500, índice das grandes empresas americanas, e não o Ibovespa. Segundo o Chase, que republicou a análise, uma aplicação totalmente investida rendeu 11,3% ao ano entre maio de 2005 e maio de 2025. Perder só os 10 melhores dias cortaria mais da metade desse retorno.

Esse dado mede o custo de estar fora do mercado nos melhores dias. Ele não mede o resultado de quem entrou após uma queda, que também pode ter visto o índice cair mais antes de subir.

Para o Ibovespa, não localizamos estudo verificado sobre o retorno após grandes quedas diárias. A lista da Suno mostra seis das dez maiores quedas diárias desde 2000 em 2008.

A queda também pode continuar. Em 2008, depois de setembro, o índice ainda caiu 11,39% em 15 de outubro e 7,75% em 12 de novembro, segundo a Suno. Nos casos acima, o fundo ficou claro só depois.

O que diz a J.P. Morgan Asset Management: Em página sobre aposentadoria, a gestora afirma que deixar de ganhar nesses dias “pode ter consequências graves para uma carteira” (tradução nossa). A análise usa dados americanos, não brasileiros.

O histórico mostra recuperações, mas em prazos diferentes. Em 2008, o índice ainda estava abaixo do topo quase dois anos depois. Ativos podem perder valor, e uma queda pode se aprofundar. Nada neste histórico garante o que virá depois de 26 de outubro de 2026, e este texto não é recomendação de investimento.

Ativos podem perder valor, e um pânico pode se aprofundar. Nenhum dos casos acima teve um fundo anunciado no próprio dia, nas fontes consultadas. Este texto não é recomendação de compra ou venda.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) orienta, no Ofício Circular CVM/SIN 6/19, que a publicidade de analistas diga que retornos passados não são garantia de retorno futuro. O aviso vale também para este histórico.

Como fizemos: Usamos o InfoMoney para o pregão de 26/10/2026, e reportagens e colunas sobre os demais episódios, acessadas em 26/10/2026. Os dados de 2002 vêm da Trademap, e não confirmamos a queda anual daquele ano em outra fonte, por isso usamos a medida de seis meses. A comparação com a maior queda diária é nossa, a partir da lista da Suno de fevereiro de 2020. Não consultamos a série diária da B3, por isso não localizamos as datas em que os níveis anteriores voltaram em 2017 e 2020. Os casos são escolhidos e não formam amostra.

Fontes