Agronegócio

Aquicultura em águas da União cresce 20,9% e bate recorde

Produção chegou a 179,6 mil toneladas em 2025 e gerou 4.239 postos; Sudeste concentrou 52,8%, enquanto Norte respondeu por apenas 0,4%.

Trabalhador usa rede para manejar peixes em tanque de complexo de piscicultura
Manejo de peixes no Complexo Industrial de Piscicultura, em Rio Branco, em 11 de março de 2016.Foto: Gleilson Miranda / Secom Acre / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A aquicultura em águas da União produziu 179,6 mil toneladas de organismos aquáticos em 2025, alta de 20,9% sobre o ano anterior. É o maior resultado da série iniciada em 2019. Os dados do Ministério da Pesca e Aquicultura foram divulgados nesta semana e mostram expansão da produção, dos contratos e do emprego.

A atividade movimentou R$ 1,47 bilhão em valor bruto da produção e gerou 4.239 postos de trabalho. O aumento de volume ficou em cerca de 31 mil toneladas, segundo cálculo da redação a partir da variação percentual. Os dados tratam apenas de áreas públicas cedidas para cultivo, não de toda a piscicultura brasileira.

Sudeste concentra mais da metade da produção

A região Sudeste respondeu por 94,8 mil toneladas, ou 52,8% do total. São Paulo liderou entre os estados, com 64,5 mil toneladas. Minas Gerais produziu 30 mil, e o Paraná, 18 mil toneladas.

O Nordeste aparece na segunda posição regional, com 34,6 mil toneladas. Pernambuco respondeu por 15,3 mil desse volume. O Norte registrou apenas 712 toneladas, participação de 0,4%, a menor entre as cinco regiões.

Sudeste responde por mais da metade do volume Produção aquícola em águas da União por região, em 2025

Região Produção Participação calculada
Sudeste 94,8 mil t 52,8%
Nordeste 34,6 mil t 19,3%
Sul 27,3 mil t 15,2%
Centro-Oeste 22,3 mil t 12,4%
Norte 712 t 0,4%

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura. Percentuais calculados sobre 179,6 mil toneladas e sujeitos a diferenças de arredondamento.

A distribuição mostra que o recorde nacional tem concentração regional marcada. Os números não explicam sozinhos as causas das diferenças. Eles também não medem a produção em açudes, represas e viveiros particulares, que segue outra forma de ocupação.

Tilápia responde por quase todo o volume

A piscicultura continental respondeu por 169,8 mil toneladas, ou 94,5% do total. Só a tilápia do Nilo somou aproximadamente 168 mil toneladas. Isso equivale a cerca de 93,5% de toda a produção registrada em águas da União.

A malacocultura, criação de moluscos, produziu 8,8 mil toneladas. A algicultura somou cerca de 997 toneladas. A predominância de uma única espécie mostra onde está o principal motor do crescimento, mas também a pouca diversificação do volume informado.

Águas da União incluem reservatórios de hidrelétricas, grandes rios e áreas marinhas de domínio federal. O produtor precisa de autorização do governo para utilizar esses espaços. Portanto, o crescimento depende de regras públicas de cessão e de gestão dos recursos aquáticos.

Contratos crescem 9,1% em um ano

O número de contratos vigentes passou de 1.422 em 2024 para 1.551 em 2025. Foram 129 autorizações a mais, aumento de 9,1%. A produção cresceu em ritmo superior ao número de contratos, mas os dados não permitem atribuir essa diferença a uma única causa.

O valor bruto de R$ 1,47 bilhão também não representa renda líquida dos produtores. Ele mede o valor da produção antes dos custos de ração, energia, trabalho e manutenção. Lucro e distribuição dessa renda exigiriam outros dados.

Entre os produtores, 79% são homens e 21%, mulheres. Quanto à escolaridade, 24,1% concluíram o ensino médio e 15,2%, o superior. Outros 26,64% não informaram essa característica, o que limita a leitura do perfil dos cessionários.

O que diz o Ministério da Pesca e Aquicultura: O ministério afirma que os resultados indicam potencial para ampliar a oferta de pescado, gerar emprego e renda e contribuir para o desenvolvimento regional. Os dados reúnem produção, valor, contratos e perfil dos produtores em águas da União.

O próximo acompanhamento precisa mostrar se a expansão se distribui por mais regiões e espécies. Também será importante observar a gestão ambiental e o acesso de pequenos produtores às autorizações. O recorde confirma a relevância econômica da atividade, mas não encerra essas questões.

Como fizemos: Usamos os dados do Ministério da Pesca e Aquicultura publicados pela Agência Brasil e acessados em 5/11/2026. Calculamos participações regionais, aumento absoluto aproximado e crescimento dos contratos. As proporções usam o total arredondado de 179,6 mil toneladas; a série não abrange viveiros e represas particulares.

Fontes