Agronegócio

Algodão exportado rende 25,3% mais em outubro

Brasil faturou US$ 597,6 milhões com algodão; volume cresceu 15,1% e preço médio 8,8%, separando quantidade de valor no resultado.

Fardos de algodão alinhados em área rural após a colheita
Fardos de algodão em uma lavoura; imagem de arquivo.Foto: PETRÔNIORAMALHO / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Brasil faturou US$ 597,6 milhões com as exportações de algodão em outubro. O valor foi 25,3% maior que os US$ 477,1 milhões registrados no mesmo mês de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O resultado veio de duas fontes. O país embarcou mais algodão e também recebeu mais por tonelada. Separar os efeitos ajuda a entender o que chegou ao comércio exterior e o que pode chegar à renda da cadeia.

Volume e preço subiram juntos

O volume exportado foi de 338.274,6 toneladas, alta de 15,1% sobre as 293.928,5 toneladas de outubro de 2025. O preço médio passou de US$ 1.623 para US$ 1.766,6 por tonelada, aumento de 8,8%.

A conta simples mostra como os dois movimentos se combinam. Mais produto amplia o faturamento físico; preço maior aumenta o valor de cada tonelada. A receita total, portanto, não pode ser lida como efeito apenas da cotação.

A média diária também cresceu. Em 20 dias úteis, o faturamento médio foi de US$ 29,88 milhões, contra US$ 21,684 milhões um ano antes. A alta diária de 37,8% é maior que a alta mensal porque outubro de 2025 teve 22 dias úteis.

Exportação de algodão ganhou em volume e preço

Indicador Outubro de 2026 Outubro de 2025 Variação
Receita total US$ 597,6 mi US$ 477,1 mi +25,3%
Volume 338,3 mil t 293,9 mil t +15,1%
Preço médio US$ 1.766,6/t US$ 1.623/t +8,8%
Receita média diária US$ 29,88 mi US$ 21,684 mi +37,8%

Fonte: Secex, em levantamento publicado pelo Notícias Agrícolas em 6/11/2026.

Receita externa não é renda automática

O faturamento em dólar mede a venda na fronteira. Ele não informa quanto ficou com o produtor depois de frete, armazenagem, beneficiamento, tributos e contratos de comercialização.

O câmbio também altera a conversão para reais. Um preço externo maior pode perder força se o dólar recuar, enquanto custos de transporte e insumos podem subir no mesmo período.

Ainda assim, o dado mostra demanda externa firme para o algodão brasileiro. A alta de 15,1% no volume indica que o avanço não dependeu apenas de uma valorização nominal do produto.

A média diária ajuda a comparar meses com calendários diferentes. Sem esse ajuste, o número total poderia exagerar ou esconder o ritmo real dos embarques.

Para a cadeia, o próximo ponto é saber se o movimento se mantém nos meses seguintes. Exportações fortes podem reduzir estoques internos, apoiar preços e alterar a disponibilidade para a indústria têxtil brasileira. O efeito depende de oferta, contratos e logística.

O que diz a Secex: O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que os dados de outubro registraram crescimento de receita, volume e preço médio do algodão na comparação anual.

O resultado melhora a posição exportadora do algodão, mas não encerra a discussão sobre valor agregado. A maior receita brasileira vem da fibra embarcada. Transformar parte dela em fio, tecido e produto industrial é uma etapa diferente, com outros custos e políticas.

Como fizemos: Usamos os valores de receita, volume, dias úteis e preço médio publicados pela Secex e reproduzidos em 6/11/2026. Calculamos a diferença nominal de cerca de US$ 120,5 milhões entre as receitas totais. A análise não transforma faturamento bruto em margem ou renda líquida do produtor.

Fontes