Paraná planta 71% da soja, mas chuva reduz boas condições
Deral estima 4,05 milhões de hectares semeados; lavouras boas caem 3 pontos percentuais, e ciclo mais lento pode afetar o milho de janeiro.

O plantio da soja chegou a 71% dos mais de 5,7 milhões de hectares previstos no Paraná. O percentual equivale a cerca de 4,05 milhões de hectares semeados, segundo cálculo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral).
Apesar do avanço, o ritmo segue atrasado em relação às três safras anteriores. O excesso de chuva dificultou a entrada de máquinas e reduziu a parcela de lavouras classificadas em boas condições de 88% para 85% em uma semana.
No boletim anterior, divulgado em 27 de outubro, a área semeada era 62%. O avanço foi de 9 pontos percentuais entre as duas referências. O movimento mostra recuperação do trabalho, mas não elimina o atraso acumulado nem a piora na avaliação das plantas.
Quase 1,7 milhão de hectares ainda restam
A área ainda não semeada representa 29% do total projetado, ou cerca de 1,65 milhão de hectares. O boletim divulgado na quinta-feira (5) mostra que algumas regiões se aproximam do fim, enquanto outras enfrentam atraso.
O contraste impede tratar o percentual estadual como um retrato uniforme. A conclusão depende de janelas com menos chuva e solo capaz de suportar as máquinas. Trabalhar em solo excessivamente úmido pode compactar a terra e prejudicar o desenvolvimento posterior.
As condições das áreas já implantadas também mudaram. As lavouras medianas passaram de 11% para 14%. As classificadas como ruins permaneceram em 1%, enquanto as boas perderam 3 pontos percentuais.
Lavouras boas cedem espaço para as medianas Condição da soja no Paraná, em percentual da área avaliada
| Condição | Semana anterior | Boletim de 5/11 | Variação |
|---|---|---|---|
| Boas | 88% | 85% | -3 p.p. |
| Medianas | 11% | 14% | +3 p.p. |
| Ruins | 1% | 1% | estável |
| Total | 100% | 100% | — |
Fonte: Deral. p.p. significa pontos percentuais. Elaboração: redação.
Desenvolvimento lento mexe no calendário
O analista Edmar Wardensk Gervasio, do Deral, relaciona o crescimento mais lento ao excesso de chuva, à menor luminosidade e às temperaturas abaixo do esperado. Esses fatores afetam áreas que já completaram germinação e emergência.
Um ciclo mais longo pode postergar a colheita da soja. Isso interfere no planejamento do milho de segunda safra, cuja semeadura está prevista para janeiro. O efeito dependerá do comportamento do tempo nas próximas semanas.
A situação paranaense difere da de Mato Grosso. Lá, a Aprosoja MT alerta para déficit de chuva, mesmo com 96,07% da área plantada. Os dois casos mostram que o percentual semeado não basta para avaliar o potencial produtivo.
No Paraná, o problema é o excesso de umidade e a demora no desenvolvimento. Em Mato Grosso, é a falta de água em parte das lavouras. Ambos exigem acompanhamento regional, sem transformar previsão de produção em colheita garantida.
O que diz o Deral: No Boletim Conjuntural de 5/11/2026, o departamento informa que 71% da soja foi semeada. O órgão atribui o crescimento mais lento ao excesso de chuva, à menor luminosidade e às temperaturas abaixo do esperado.
A próxima leitura do Deral indicará se as boas condições se recuperam ou seguem cedendo espaço. Também mostrará se a área restante será plantada dentro do calendário. A definição do ciclo da soja orientará a janela disponível para o milho.
Como fizemos: Multiplicamos 5,7 milhões de hectares por 71% e por 29%, usando números arredondados do Deral. Comparamos as condições das lavouras em dois boletins consecutivos. Os dados não permitem estimar perdas de produtividade nem atribuir o mesmo atraso a todos os municípios.
Fontes
- PR Safra 26/27: semeadura da soja alcança 71% da área prevista — Revista Cultivar/Deral (acesso em 07/11/2026)
- Plantio de soja no Paraná avança para 62% da área, diz Deral — CNN Brasil (acesso em 07/11/2026)
- Plantação de soja em Guarapuava — Wikimedia Commons (acesso em 07/11/2026)



