Safra

Paraná planta 71% da soja, mas chuva reduz boas condições

Deral estima 4,05 milhões de hectares semeados; lavouras boas caem 3 pontos percentuais, e ciclo mais lento pode afetar o milho de janeiro.

Lavoura de soja em áreas onduladas de Guarapuava, no Paraná
Plantação de soja em Guarapuava (PR), fotografada em abril de 2013; imagem de arquivo.Foto: Deyvid Aleksandr Raffo Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O plantio da soja chegou a 71% dos mais de 5,7 milhões de hectares previstos no Paraná. O percentual equivale a cerca de 4,05 milhões de hectares semeados, segundo cálculo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral).

Apesar do avanço, o ritmo segue atrasado em relação às três safras anteriores. O excesso de chuva dificultou a entrada de máquinas e reduziu a parcela de lavouras classificadas em boas condições de 88% para 85% em uma semana.

No boletim anterior, divulgado em 27 de outubro, a área semeada era 62%. O avanço foi de 9 pontos percentuais entre as duas referências. O movimento mostra recuperação do trabalho, mas não elimina o atraso acumulado nem a piora na avaliação das plantas.

Quase 1,7 milhão de hectares ainda restam

A área ainda não semeada representa 29% do total projetado, ou cerca de 1,65 milhão de hectares. O boletim divulgado na quinta-feira (5) mostra que algumas regiões se aproximam do fim, enquanto outras enfrentam atraso.

O contraste impede tratar o percentual estadual como um retrato uniforme. A conclusão depende de janelas com menos chuva e solo capaz de suportar as máquinas. Trabalhar em solo excessivamente úmido pode compactar a terra e prejudicar o desenvolvimento posterior.

As condições das áreas já implantadas também mudaram. As lavouras medianas passaram de 11% para 14%. As classificadas como ruins permaneceram em 1%, enquanto as boas perderam 3 pontos percentuais.

Lavouras boas cedem espaço para as medianas Condição da soja no Paraná, em percentual da área avaliada

Condição Semana anterior Boletim de 5/11 Variação
Boas 88% 85% -3 p.p.
Medianas 11% 14% +3 p.p.
Ruins 1% 1% estável
Total 100% 100% —

Fonte: Deral. p.p. significa pontos percentuais. Elaboração: redação.

Desenvolvimento lento mexe no calendário

O analista Edmar Wardensk Gervasio, do Deral, relaciona o crescimento mais lento ao excesso de chuva, à menor luminosidade e às temperaturas abaixo do esperado. Esses fatores afetam áreas que já completaram germinação e emergência.

Um ciclo mais longo pode postergar a colheita da soja. Isso interfere no planejamento do milho de segunda safra, cuja semeadura está prevista para janeiro. O efeito dependerá do comportamento do tempo nas próximas semanas.

A situação paranaense difere da de Mato Grosso. Lá, a Aprosoja MT alerta para déficit de chuva, mesmo com 96,07% da área plantada. Os dois casos mostram que o percentual semeado não basta para avaliar o potencial produtivo.

No Paraná, o problema é o excesso de umidade e a demora no desenvolvimento. Em Mato Grosso, é a falta de água em parte das lavouras. Ambos exigem acompanhamento regional, sem transformar previsão de produção em colheita garantida.

O que diz o Deral: No Boletim Conjuntural de 5/11/2026, o departamento informa que 71% da soja foi semeada. O órgão atribui o crescimento mais lento ao excesso de chuva, à menor luminosidade e às temperaturas abaixo do esperado.

A próxima leitura do Deral indicará se as boas condições se recuperam ou seguem cedendo espaço. Também mostrará se a área restante será plantada dentro do calendário. A definição do ciclo da soja orientará a janela disponível para o milho.

Como fizemos: Multiplicamos 5,7 milhões de hectares por 71% e por 29%, usando números arredondados do Deral. Comparamos as condições das lavouras em dois boletins consecutivos. Os dados não permitem estimar perdas de produtividade nem atribuir o mesmo atraso a todos os municípios.

Fontes