Safra

Cevada gaúcha deve cair 42%, e chuva tira grão do malte

Emater estima 67.242 toneladas, ante 115.935 em 2025; mesmo áreas produtivas têm germinação baixa e destino à ração animal.

Lavoura de cevada madura sob céu com nuvens
Lavoura de cevada em Monchecourt, França, em 9 de junho de 2026; imagem de arquivo.Foto: JackyM59 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A cevada do Rio Grande do Sul deve chegar a 67.242 toneladas em 2026, queda de 42% ante as 115.935 toneladas de 2025. A reestimativa da Emater/RS-Ascar foi divulgada na quinta-feira (5). A empresa pública vinculada ao governo gaúcho acompanha a produção e a assistência rural.

Além do volume menor, chuvas e baixa luminosidade prejudicaram a qualidade. Parte dos grãos não atende à indústria de malteação e segue para alimentação animal. O problema aparece até em propriedades com produtividade considerada satisfatória.

Área encolhe mais que um terço

A área cultivada caiu 32,55%, de 32.010 para 21.591 hectares. A produtividade média projetada é de 3.114 quilos por hectare. Na safra anterior, a relação entre produção e área era de cerca de 3.622 quilos.

Portanto, a quebra combina menos plantio e rendimento médio 14% menor. O risco de El Niño e de excesso de umidade desestimulou o cultivo, segundo a Emater, mesmo com contratos da indústria cervejeira.

Menos hectares e menor rendimento derrubam a safra Comparação da cevada gaúcha entre 2025 e a estimativa de 2026

Indicador 2025 2026 estimado Variação
Área cultivada 32.010 ha 21.591 ha -32,55%
Produtividade 3.622 kg/ha 3.114 kg/ha -14,0%
Produção 115.935 t 67.242 t -42,0%

Fonte: Emater/RS-Ascar e IBGE. Produtividade de 2025 e variação calculadas pela redação.

Os Campos de Cima da Serra concentram aproximadamente metade da área estadual. As lavouras mais tardias da região ainda aguardam colheita. A indústria espera encontrar ali matéria-prima dentro do padrão.

Boa produtividade não garante malte

Em Tio Hugo, houve rendimento de 3.900 quilos por hectare. Mesmo assim, problemas de germinação restringiram o aproveitamento. Na região de Soledade, a colheita chegava a 95% da área.

Em Ijuí, 30% da área estava colhida. A produção analisada não atendia à malteação e já era destinada à alimentação animal. O desvio pode reduzir a remuneração, mas o boletim não apresenta descontos consolidados.

Os problemas incluem grãos germinados ainda na lavoura e baixo peso hectolitro, medida de massa em determinado volume. Também foram identificados teores elevados de micotoxinas, substâncias produzidas por fungos que exigem controle sanitário.

A malteação depende da germinação controlada dos grãos. Por isso, um lote com muitos quilos pode ser recusado se a capacidade de germinar estiver comprometida. Quantidade colhida e qualidade industrial são indicadores diferentes.

O que diz a Emater/RS-Ascar: O Informativo Conjuntural confirma restrições de germinação e outras falhas de qualidade em Ijuí e Soledade. A instituição informa a destinação parcial à ração e concentra a expectativa da indústria nas lavouras tardias dos Campos de Cima da Serra.

O fechamento da colheita mostrará quanto da produção terá aproveitamento cervejeiro. Ainda não há volume total de grãos desclassificados. Para o produtor, classificação e preço por destino serão decisivos para medir a perda de renda.

Como fizemos: Comparamos área, produção e qualidade nos boletins divulgados em 5/11/2026. Calculamos a produtividade de 2025 dividindo 115.935 toneladas por 32.010 hectares e a variação até os 3.114 kg/ha projetados. Não estimamos descontos comerciais nem o total destinado à ração.

Fontes