Crédito rural

Mercado reduz Selic de 2027 e dólar de 2026 no Boletim Focus

Economistas ouvidos pelo Banco Central veem Selic de 13,25% no fim de 2026 e menos juros em 2027. O que isso pesa no crédito rural.

Parte superior da torre de concreto e vidro da sede do Banco Central, em Brasília, contra um céu azul
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, fotografada em 2010.Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na segunda-feira (26), o Banco Central divulgou o Boletim Focus, com as expectativas de economistas do mercado para juros, inflação e câmbio. Pela mediana das respostas, a Selic, taxa básica de juros do país, deve ficar em 11,75% ao ano no fim de 2027. Na semana anterior, a projeção era de 12%.

O dólar também ficou mais barato nas projeções. Para o fim de 2026, a mediana caiu de R$ 5,13 para R$ 5,05. Para quem toma crédito rural, o efeito é indireto. Esta reportagem mostra quais são os caminhos e onde o número não muda nada.

O que mudou em uma semana

O Focus reúne as expectativas de economistas consultados pelo Banco Central. A mediana é o valor do meio das respostas. A tabela compara as duas últimas edições.

Projeções do Focus caíram para a Selic de 2027 e para o dólar de 2026 Mediana para o fim de cada ano; juros em % ao ano, dólar em R$

Indicador 19/10 26/10
Selic, fim de 2026 13,25% 13,25%
Selic, fim de 2027 12,00% 11,75%
IPCA de 2026 5,22% 5,19%
IPCA de 2027 4,32% 4,34%
Dólar, fim de 2026 R$ 5,13 R$ 5,05
Dólar, fim de 2027 R$ 5,22 R$ 5,15

Fonte: Banco Central, Relatório Focus, via InfoMoney (19/10) e Money Times (26/10). Elaboração: redação.

O IPCA é o índice oficial de inflação, calculado pelo IBGE. A meta de 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto, o que dá um teto de 4,5%, segundo a Agência Brasil. A projeção do mercado para 2026, de 5,19%, segue acima desse teto.

A Selic atual é de 13,75%. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, cortou 0,25 ponto em 16 de setembro, o quinto corte seguido, segundo a Agência Brasil. A mediana de 13,25% para o fim do ano indica mais 0,50 ponto de corte até dezembro. Essa conta é nossa, a partir dos números do Focus.

Como juro e dólar chegam ao campo

O crédito rural tem taxas definidas pelo Plano Safra 2026/27, anunciado em 30 de junho. Segundo o InfoMoney, o Pronamp, voltado a médios produtores, tem taxa de até 9% ao ano. O custeio empresarial tem 12,5%.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as taxas passaram “de um patamar de 14% para 12% ao ano na maioria das linhas, e de 10% para 9% em outras”. Ou seja, a mudança do Focus não altera o que o produtor paga hoje.

O efeito aparece no subsídio. Segundo o Globo Rural, o Tesouro cobre “a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final paga pelos produtores rurais”. Para a agricultura empresarial, esse custo subiu de R$ 3,9 bilhões na safra 2025/26 para R$ 5,5 bilhões em 2026/27, alta de 41%.

Nossa leitura é que, se o custo de captação dos bancos cai, a conta do Tesouro tende a encolher para a mesma taxa ao produtor. O Focus não faz essa conta, e a ligação entre Selic e custo de captação não é automática.

O dólar pesa no custo da lavoura. Cerca de 85% dos fertilizantes usados na agricultura são importados, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, citado pela Notícias Agrícolas. Um dólar mais barato tende a baratear esses insumos, se os preços internacionais não subirem.

O que diz o Banco Central: O Relatório Focus é divulgado pela própria instituição, com as expectativas de economistas consultados por ela, na página oficial do boletim. A redação não consultou o banco para esta reportagem, que se baseia na publicação e nas reportagens citadas.

O que isso significa

Os números apontam para juros um pouco menores em 2027 e para um dólar mais baixo. Eles não mudam as taxas já definidas no Plano Safra. Também não decidem a Selic, que cabe ao Copom.

A inflação de 2026 segue acima do teto, e isso limita a velocidade dos cortes. A próxima edição do Focus, na segunda-feira seguinte, mostra se a tendência se mantém.

Como fizemos: Usamos as medianas do Boletim Focus de 19/10/2026 (via InfoMoney) e de 26/10/2026 (via Money Times e Investidor Institucional), consultadas em 27/10/2026. A Selic de 13,75%, o corte de setembro e o teto de 4,5% vêm da Agência Brasil. As variações são cálculo nosso, feito pela diferença entre as duas semanas. A ligação entre Selic, custo de captação e subsídio é leitura da redação, porque o levantamento não mostra esse efeito.

Fontes