Agronegócio

PI AgSciences quer quase triplicar receita brasileira até 2030

Meta é superar R$ 100 milhões, ante mais de R$ 35 milhões em 2026; novo presidente terá de consolidar soja e lançar nematicida.

Ilustração abstrata em verde e amarelo usada como imagem provisória
Imagem provisória: composição abstrata em verde e amarelo, sem retrato do executivo ou instalações da empresa.Ilustração: Imagem provisória

A PI AgSciences quer superar R$ 100 milhões de faturamento no Brasil até 2030. A meta representa quase o triplo da previsão de vendas acima de R$ 35 milhões em 2026. O plano será conduzido por Jonas Cuzzi, confirmado neste sábado (7) como responsável pela operação brasileira.

O executivo ocupava a diretoria de Marketing e comandava a empresa interinamente desde fevereiro. Seu cargo será country head, equivalente ao de presidente da subsidiária nacional. Ele ficará responsável por todas as áreas da companhia no Brasil.

Meta exige crescimento de ao menos 186%

A companhia espera crescer aproximadamente 50% em 2026 sobre o ano anterior. Para alcançar a meta seguinte, terá de elevar a receita em pelo menos 185,7% entre a previsão deste ano e 2030. Isso equivale a multiplicar as vendas por cerca de 2,86.

Objetivo é quase triplicar a receita em quatro anos Previsão para 2026 e meta empresarial para 2030

Indicador Valor ou objetivo Situação
Vendas em 2026 Acima de R$ 35 milhões Previsão da empresa
Vendas em 2030 Acima de R$ 100 milhões Meta da empresa
Crescimento entre os marcos Pelo menos 185,7% Cálculo da redação
Aplicações esperadas em 2026 Cerca de 800 mil hectares Previsão da empresa

Fonte: PI AgSciences, em entrevista de Jonas Cuzzi à EXAME. Crescimento calculado sobre os valores-base de R$ 35 milhões e R$ 100 milhões.

A projeção de 800 mil hectares se refere a aplicações dos produtos, não a uma área cultivada única. O número não representa 800 mil hectares de novos clientes nem permite calcular quantos produtores serão atendidos. A mesma lavoura pode receber mais de uma aplicação.

A meta é empresarial, não uma previsão independente de mercado. Seu cumprimento dependerá das vendas, do crédito e da aprovação de novos produtos. A companhia não informou na entrevista uma divisão de receita por cultura ou por estado.

Consolidação vem antes de novas regiões

Nos próximos dois anos, a empresa pretende consolidar o Mato Grosso, seu principal mercado. Também quer reforçar a presença em outras áreas do Cerrado, em São Paulo e no Paraná. A expansão para Rio Grande do Sul e Santa Catarina será avaliada depois.

Outra aposta é um nematicida previsto para o fim de 2027 ou o início de 2028. Nematicidas são defensivos destinados ao controle de nematoides, vermes microscópicos que atacam as raízes. O lançamento depende de aprovação regulatória e ainda não tem data garantida.

A PI AgSciences é o braço agrícola do grupo indiano PI Industries, presente em mais de 40 países. No Brasil, a expansão ganhou forma com a compra da Plant Healthcare, no fim de 2024. A adquirida atuava no país desde 2019, principalmente com cana-de-açúcar.

A entrada no mercado de soja ocorreu em 2025. Em 2026, a companhia concluiu a transição para a marca PI AgSciences. Cuzzi terá de consolidar essa operação em um período de maior cautela financeira de produtores e distribuidores.

O que diz Jonas Cuzzi: “O que o agricultor controla é custo e produtividade”, afirmou à EXAME. O executivo também disse que a assistência técnica direta ao produtor será central para ampliar os clientes.

A empresa vende principalmente por distribuidores, mas mantém contato técnico com agricultores. Cuzzi afirma que a companhia não foi diretamente afetada por recuperações judiciais no agro e adota política cautelosa de crédito. Os próximos balanços mostrarão se a estratégia aproxima a receita da meta.

Como fizemos: Conferimos a nomeação no comunicado reproduzido pela Agência Estado e os números na entrevista à EXAME, ambos publicados neste sábado. Calculamos a variação entre R$ 35 milhões e R$ 100 milhões. Não tratamos metas como receita realizada nem hectares de aplicação como área única.

Fontes