Safra

Safras projeta milho recorde de 151,7 milhões de toneladas

Consultoria elevou a previsão da safra 2026/27 em 6 milhões de toneladas; segunda safra responde pela maior parte do ganho esperado.

Lavoura de milho jovem em área rural sob céu com nuvens
Plantação de milho em Pacajus, no Ceará; imagem de arquivo.Foto: Porto Neto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A produção brasileira de milho pode chegar a 151,7 milhões de toneladas na safra 2026/27. A estimativa da consultoria Safras & Mercado, divulgada nesta sexta-feira (6), subiu cerca de 6 milhões de toneladas desde agosto.

A revisão equivale a uma alta próxima de 6% sobre o ciclo anterior. Ela combina uma área maior, de 23,51 milhões de hectares, e uma expectativa de recuperação da produtividade. O número é uma projeção, não uma colheita confirmada.

Segunda safra concentra a aposta

A segunda safra, conhecida como safrinha, deve responder pela maior parte do aumento. A consultoria estima 104,49 milhões de toneladas, acima dos 97,3 milhões do ciclo passado.

Essa etapa é plantada depois da soja. Seu resultado depende da data de colheita da oleaginosa, da umidade disponível e da janela indicada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). O Zarc é a ferramenta pública que aponta períodos de menor risco para cada cultura e município.

A diferença entre área e produção merece atenção. A área prevista cresce apenas 0,4% sobre a projeção anterior, enquanto a produção sobe cerca de 6%. Isso significa que o ganho esperado depende sobretudo de rendimento por hectare, e não de uma expansão ampla do território cultivado.

Projeção atual separa área, produção e safrinha

Indicador Projeção 2026/27 Comparação informada
Produção total 151,7 milhões de t cerca de 6% acima do ciclo anterior
Área plantada 23,51 milhões de ha 0,4% acima da previsão anterior
Segunda safra 104,49 milhões de t 97,3 milhões de t no ciclo passado
Norte e Nordeste 21,6 milhões de t 16,1 milhões na estimativa anterior

Fonte: Safras & Mercado, em reportagem da Reuters publicada em 6/11/2026.

Norte e Nordeste mudam o mapa

A revisão regional foi mais forte no Norte e no Nordeste. A previsão passou de 16,1 milhões para 21,6 milhões de toneladas, com pouco mais de 4 milhões de hectares plantados.

Esse acréscimo ajuda a explicar por que a produção nacional subiu sem uma expansão proporcional da área. Ele também mostra que uma média brasileira pode esconder ritmos diferentes entre regiões. Chuva, solo, tecnologia e calendário não se distribuem de maneira uniforme.

A Conab, Companhia Nacional de Abastecimento, projetava cerca de 148 milhões de toneladas em setembro. A diferença de 3,7 milhões de toneladas entre as duas estimativas mostra que o número ainda depende das premissas de cada levantamento.

A previsão maior pode melhorar a oferta de ração e de matéria-prima para o etanol de milho. Também pode pressionar preços na colheita se a demanda e a armazenagem não acompanharem o volume. Esses efeitos dependem do clima e do escoamento.

O que diz a Safras & Mercado: A consultoria informou que revisou área plantada, produtividade e produção das safras 2025/26 e 2026/27. O levantamento atribui o principal ganho à recuperação esperada da segunda safra.

O recorde projetado será testado pela implantação da safrinha em 2027. Até lá, o produtor ainda enfrenta decisões de plantio, risco climático e custo de insumos. A revisão é um sinal de potencial, não uma garantia de renda.

Como fizemos: Comparamos a estimativa divulgada pela Safras & Mercado via Reuters em 6/11/2026 com a projeção da Conab publicada em setembro. Calculamos a diferença de 3,7 milhões de toneladas entre os dois números. As projeções podem ser revisadas com o plantio, o clima e novos dados de produtividade.

Fontes