Safras projeta milho recorde de 151,7 milhões de toneladas
Consultoria elevou a previsão da safra 2026/27 em 6 milhões de toneladas; segunda safra responde pela maior parte do ganho esperado.

A produção brasileira de milho pode chegar a 151,7 milhões de toneladas na safra 2026/27. A estimativa da consultoria Safras & Mercado, divulgada nesta sexta-feira (6), subiu cerca de 6 milhões de toneladas desde agosto.
A revisão equivale a uma alta próxima de 6% sobre o ciclo anterior. Ela combina uma área maior, de 23,51 milhões de hectares, e uma expectativa de recuperação da produtividade. O número é uma projeção, não uma colheita confirmada.
Segunda safra concentra a aposta
A segunda safra, conhecida como safrinha, deve responder pela maior parte do aumento. A consultoria estima 104,49 milhões de toneladas, acima dos 97,3 milhões do ciclo passado.
Essa etapa é plantada depois da soja. Seu resultado depende da data de colheita da oleaginosa, da umidade disponível e da janela indicada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). O Zarc é a ferramenta pública que aponta períodos de menor risco para cada cultura e município.
A diferença entre área e produção merece atenção. A área prevista cresce apenas 0,4% sobre a projeção anterior, enquanto a produção sobe cerca de 6%. Isso significa que o ganho esperado depende sobretudo de rendimento por hectare, e não de uma expansão ampla do território cultivado.
Projeção atual separa área, produção e safrinha
| Indicador | Projeção 2026/27 | Comparação informada |
|---|---|---|
| Produção total | 151,7 milhões de t | cerca de 6% acima do ciclo anterior |
| Área plantada | 23,51 milhões de ha | 0,4% acima da previsão anterior |
| Segunda safra | 104,49 milhões de t | 97,3 milhões de t no ciclo passado |
| Norte e Nordeste | 21,6 milhões de t | 16,1 milhões na estimativa anterior |
Fonte: Safras & Mercado, em reportagem da Reuters publicada em 6/11/2026.
Norte e Nordeste mudam o mapa
A revisão regional foi mais forte no Norte e no Nordeste. A previsão passou de 16,1 milhões para 21,6 milhões de toneladas, com pouco mais de 4 milhões de hectares plantados.
Esse acréscimo ajuda a explicar por que a produção nacional subiu sem uma expansão proporcional da área. Ele também mostra que uma média brasileira pode esconder ritmos diferentes entre regiões. Chuva, solo, tecnologia e calendário não se distribuem de maneira uniforme.
A Conab, Companhia Nacional de Abastecimento, projetava cerca de 148 milhões de toneladas em setembro. A diferença de 3,7 milhões de toneladas entre as duas estimativas mostra que o número ainda depende das premissas de cada levantamento.
A previsão maior pode melhorar a oferta de ração e de matéria-prima para o etanol de milho. Também pode pressionar preços na colheita se a demanda e a armazenagem não acompanharem o volume. Esses efeitos dependem do clima e do escoamento.
O que diz a Safras & Mercado: A consultoria informou que revisou área plantada, produtividade e produção das safras 2025/26 e 2026/27. O levantamento atribui o principal ganho à recuperação esperada da segunda safra.
O recorde projetado será testado pela implantação da safrinha em 2027. Até lá, o produtor ainda enfrenta decisões de plantio, risco climático e custo de insumos. A revisão é um sinal de potencial, não uma garantia de renda.
Como fizemos: Comparamos a estimativa divulgada pela Safras & Mercado via Reuters em 6/11/2026 com a projeção da Conab publicada em setembro. Calculamos a diferença de 3,7 milhões de toneladas entre os dois números. As projeções podem ser revisadas com o plantio, o clima e novos dados de produtividade.
Fontes
- Safras & Mercado eleva previsão do milho brasileiro para 151,7 milhões de toneladas — Reuters/Notícias Agrícolas (acesso em 06/11/2026)
- Produção de grãos na safra 2026/27 pode chegar a 366,6 milhões de toneladas — Conab (acesso em 06/11/2026)
- Zarc do milho é atualizado com novas séries climáticas — Ministério da Agricultura (acesso em 06/11/2026)
- Plantação de milho em Pacajus — Wikimedia Commons (acesso em 06/11/2026)



