Clima e tempo

Temporal causa até R$ 18 milhões em danos a cooperativa de SC

Estrutura de beneficiamento de ração caiu em Pinhalzinho; retomada das principais linhas é prevista para segunda, após apoio de outras cooperativas.

Fachada do Museu Histórico de Pinhalzinho, em Santa Catarina
Museu Histórico de Pinhalzinho (SC), município onde o temporal danificou a Cooperitaipu; imagem de arquivo de outubro de 2025.Foto: Eduardo Fontana De Gasperin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Cooperativa Regional Itaipu (Cooperitaipu) estima entre R$ 15 milhões e R$ 18 milhões em danos após o temporal de quarta-feira (4). O vento derrubou uma passarela metálica usada no beneficiamento de ração em Pinhalzinho, no Oeste de Santa Catarina.

A estrutura caiu sobre uma carreta e um veículo, ambos vazios. Ninguém se feriu, segundo a cooperativa. O seguro foi acionado, e outras cooperativas vão emprestar equipamentos para retomar as principais linhas de produção na segunda-feira (9).

Estragos chegam à produção e às estradas

O levantamento publicado neste sábado (7) pelo Globo Rural reúne danos nos três estados do Sul. Além das perdas financeiras, o temporal atingiu lavouras, máquinas e caminhos usados para escoar a produção.

Em Maringá, no Paraná, um tornado destruiu o barracão de colheitadeiras do produtor Cícero Mizote. Cerca de 120 hectares de soja foram danificados nas propriedades dele e de um vizinho. Mizote prevê replantio e informou que apenas o maquinário tem seguro.

Em Pitanga, também no Paraná, choveram mais de 150 milímetros na madrugada de quinta-feira (5), segundo o Sindicato Rural local. O plantio de soja alcançava entre 50% e 60% da área prevista. A entidade também teme dificuldades no escoamento do leite pelas estradas de terra.

Cooperativa prevê retomada antes de concluir a reconstrução Danos e prazos informados pela Cooperitaipu após o temporal de 4/11/2026

Item Situação informada
Estimativa de prejuízo R$ 15 milhões a R$ 18 milhões
Reparo completo da estrutura 60 a 70 dias
Retomada das principais linhas de ração Segunda-feira (9/11)
Pessoas feridas na queda da passarela Nenhuma

Fonte: Cooperitaipu, em reportagem do Globo Rural publicada em 7/11/2026.

Chuva acumulada amplia o risco

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) registrou solo muito úmido no estado. O meteorologista Marcelo Martins relatou impactos em soja, milho, fumo, cebola, uva, pêssego, maçã, feijão e flores.

Segundo ele, partes de Santa Catarina receberam em outubro cerca de 600 milímetros de chuva. A média histórica para essas áreas é inferior a 200 milímetros no mês. Na última semana, alguns pontos acumularam quase o dobro do volume previsto para novembro inteiro.

O balanço da Defesa Civil catarinense citado na reportagem registra ocorrências em 122 municípios desde domingo (1º). Ao todo, 54 cidades decretaram situação de emergência. Foram contabilizadas 6.330 residências afetadas e duas mortes.

No Paraná, a Defesa Civil contabilizou 94 ocorrências em 87 municípios nos seis primeiros dias de novembro. Os danos somavam R$ 38,4 milhões, e mais de 30 mil pessoas foram afetadas. O levantamento inclui diferentes tipos de prejuízo, não apenas perdas agropecuárias.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) pediu ao governo estadual um fundo de catástrofe para o setor. A entidade estima perdas médias de 25% na produtividade das culturas de inverno. A proposta ainda não representa liberação de recursos.

Os números mostram que o prejuízo da cooperativa é apenas uma parte da crise. Eles também não permitem somar todos os danos agropecuários. Muitas perdas nas lavouras ainda dependem de avaliação nos próximos dias.

O que diz a Cooperitaipu: A assessoria informou ao Globo Rural que cooperativas parceiras emprestarão equipamentos. A previsão é normalizar o beneficiamento e a entrega de ração aos produtores na segunda-feira, enquanto o reparo completo continua.

A retomada prevista reduz o risco de interrupção prolongada no fornecimento de ração bovina e suína. Ainda assim, o prazo de 60 a 70 dias para a reconstrução mostra que a normalização da infraestrutura será mais lenta. A confirmação da volta das linhas na segunda será o próximo teste.

Como fizemos: Consultamos o levantamento do Globo Rural publicado neste sábado e o balanço da Defesa Civil de Santa Catarina reproduzido pela imprensa local. Separamos valores, prazos e extensão territorial para não comparar grandezas diferentes. Não estimamos perdas ainda não calculadas pelas propriedades.

Fontes