Política agrícola

Petrobras, BB e Caixa "não serão tocadas". As outras estatais, sem resposta

Sachsida poupou três estatais em vídeo, mas não disse se a promessa vale para as demais; o plano de Flávio retoma privatizações "caso a caso", sem lista.

O economista Adolfo Sachsida discursa em um púlpito diante de uma plateia
O economista Adolfo Sachsida, hoje coordenador econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, discursa no Palácio do Planalto, em Brasília, em julho de 2019, quando era secretário de Política Econômica.Foto: Marcos Corrêa / Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 8 de outubro, o coordenador econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Adolfo Sachsida, gravou um vídeo com uma promessa. Petrobras, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal “não serão tocadas”, disse ele, segundo a InfoMoney. A frase foi feita para encerrar o assunto das privatizações.

Não encerrou. A Forbes apontou que Sachsida não disse se a garantia vale para as outras estatais do governo federal. São três nomes numa lista muito mais longa. E o plano de governo do candidato, protocolado em agosto, não traz lista nenhuma.

Um plano que vende “caso a caso”

O plano registrado em 13 de agosto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma o Programa Nacional de Desestatização. É o programa que define quais empresas públicas podem ser vendidas. O critério do texto é avaliar “caso a caso”, segundo o portal eixos e a Forbes.

O mesmo documento promete rever a Lei das Estatais, que define as regras de gestão dessas empresas. Também amplia o mercado de gás e libera o fracking, técnica para extrair gás preso na rocha. A Petrobras não aparece citada no plano.

Na prática, o eleitor recebeu duas mensagens. Uma diz que três empresas estão protegidas. A outra abre a porta para vender qualquer outra, sem dizer qual. Quem decide o que entra no “caso a caso” é o governo que vier.

O coordenador que já pediu estudo de privatização

Sachsida não é um nome neutro no tema. Em 2022, como ministro de Minas e Energia do governo Jair Bolsonaro, ele pediu estudos para a privatização da Petrobras, lembraram as reportagens sobre o vídeo. Hoje, o mesmo economista assina a promessa de não mexer na empresa.

O histórico do próprio candidato vai na mesma linha. Em abril de 2022, Flávio disse ao UOL que o pai havia autorizado estudar a privatização da Petrobras. Em dezembro de 2025, em entrevista à Reuters relatada pela InfoMoney, afirmou que as partes da estatal que não funcionam podem ser privatizadas.

Em agosto de 2026, já em campanha, o coordenador Rogério Marinho disse à CNN Brasil que não há plano de privatizar a Petrobras. Mas ressalvou que a venda de ativos da empresa não está descartada. Ativos, aqui, são partes do negócio, como refinarias, campos ou subsidiárias.

Em 9 de outubro, um dia depois do vídeo de Sachsida, Flávio chamou a discussão de “boataria”, segundo a InfoMoney. Na sexta-feira (16), o Aos Fatos checou a entrevista dele à TV Globo. Concluiu que, ao chamar a acusação de “terrorismo” do PT, o candidato omitiu declarações suas e da própria equipe.

Por que a lista importa no campo

Para o produtor, estatal não é tema de seminário. O diesel do trator e do caminhão passa pela política de preços da Petrobras. O crédito rural passa, em boa parte, pelos bancos públicos. A promessa de Sachsida cobre esses três nomes, e isso conta.

Mas a conta do campo não para aí. Energia, gás, armazenagem e infraestrutura também passam por empresas e decisões do governo federal. Quando o plano diz “caso a caso” e não publica a lista, o produtor fica sem saber o que muda depois da posse. E planejamento de safra se faz com regra conhecida, não com promessa em vídeo.

Há ainda uma brecha dentro das próprias três empresas. A frase de Sachsida fala em não “tocar” a Petrobras. A de Marinho, dita dois meses antes, deixa aberta a venda de partes dela. As duas convivem na mesma campanha, e nenhuma delas foi parar no plano registrado.

Promessa feita em vídeo não obriga ninguém depois da posse. O plano protocolado no TSE é o documento oficial da candidatura, e ele fala em vender “caso a caso”. Se a intenção é proteger outras estatais além das três, bastaria dizer quais. Até agora, a campanha não disse.

O que diz a campanha: Adolfo Sachsida afirmou, em 8 de outubro, que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa “não serão tocadas”, segundo a InfoMoney. No dia seguinte, Flávio chamou a história da privatização de “boataria” e acusou o presidente Lula de usar a Petrobras eleitoralmente.

O segundo turno é no domingo (25). A garantia dada até agora tem três nomes e nenhum documento. O plano registrado tem um critério aberto e nenhuma lista.

Entre uma coisa e outra, cabe tudo o que a campanha preferiu não dizer. O eleitor do interior tem poucos dias para cobrar a resposta que falta: quais estatais o “caso a caso” alcança.

Fontes