Política agrícola

Assessor de energia de Flávio admite debater capitalização da Petrobras

Adriano Pires, coordenador de energia do plano, citou a capitalização da Eletrobras; a medida não está no programa e a campanha nega privatizações.

O economista Adriano Pires em pronunciamento em audiência pública no Senado Federal
O economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, discursa em audiência pública no Senado sobre a venda de ativos da Petrobras, em Brasília, em agosto de 2016.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O economista Adriano Pires, coordenador da área de energia do plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL), deu entrevista ao SBT News em 25 de agosto. Ali, disse que uma eventual capitalização da Petrobras “pode ser discutida” pela campanha. A medida, porém, não está prevista no programa do candidato.

Capitalização, em palavras simples, é a empresa vender ações para levantar dinheiro. O governo reduz sua fatia, mas nem por isso deixa necessariamente de ser o controlador. Na privatização, o controle passa do Estado para a iniciativa privada. É a diferença que o próprio SBT News explicou na reportagem. Na prática, entra dinheiro novo na empresa — e, com ele, um sócio privado com direito a voto.

Pires, que também dirige o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), defendeu a conversa abertamente. “Não podemos nos furtar a ter essa discussão”, afirmou. “Eu não vejo nenhum problema, eu não vejo nenhum fantasma em discutir isso”, completou. Ele citou o precedente: “o governo Bolsonaro já fez a capitalização da Eletrobras e você pode ter uma discussão de fazer uma capitalização da Petrobras”. A Eletrobras é a estatal do setor elétrico.

Segundo o assessor, a prioridade de um eventual governo Flávio seria outra: recuperar a autonomia da Petrobras e impedir o uso político da empresa. Ele criticou o governo Lula por interferir na estatal “a todo momento”. E reclamou da política de preços, dizendo que o governo usa a empresa para evitar que os combustíveis acompanhem integralmente as cotações internacionais.

A discussão não nasce do nada

A conversa proposta por Pires tem histórico por trás. O próprio Flávio defendeu a privatização em 2022, dizendo ao UOL que o pai, o então presidente Jair Bolsonaro, havia autorizado o estudo. Em dezembro de 2025, em entrevista à Reuters, ele disse que as partes da estatal que “não funcionam” podem ser privatizadas, segundo a InfoMoney.

Em fevereiro de 2026, o candidato recuou: “você não pode simplesmente vender uma empresa que tem um monopólio estratégico”, disse, conforme o portal eixos. O plano de governo protocolado em 13 de agosto não cita a Petrobras, mas retoma o Programa Nacional de Desestatização “avaliando caso a caso”, segundo o eixos.

Em outubro, a campanha negou tudo. No dia 8, o coordenador econômico Adolfo Sachsida garantiu que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa “não serão tocadas”, segundo a InfoMoney. A Forbes notou que a promessa não diz se vale para as demais estatais. No dia 9, Flávio chamou o assunto de “boataria”, segundo a InfoMoney. Na sexta (16), o Aos Fatos concluiu que, ao chamar a acusação de “terrorismo”, ele omitiu declarações suas e da própria equipe.

O que muda para o produtor

Para quem vive da lavoura, a palavra é comprida, mas o assunto é curto. Diesel é o maior custo do frete que tira a safra da fazenda. Gás natural é matéria-prima de fertilizante nitrogenado. Dinheiro privado entrando na estatal manda na política de preços — e, com ela, no preço da arroba, do saca e do frete. Do armazém à cooperativa, do pasto ao frigorífico, a conta do diesel acompanha cada etapa.

A pergunta que fica é simples: o que hoje “pode ser discutido” dentro da campanha pode virar política depois das urnas? O produtor que viu o diesel subir e descer nos últimos quatro anos sabe a resposta possível. O registrado até agora é uma campanha que nega em palanque e debate em reunião de equipe.

O que diz a campanha: O assessor Adriano Pires disse ao SBT News que a capitalização da Petrobras “pode ser discutida”, mas que a medida não está no programa — e que a prioridade é recuperar a autonomia da estatal. A campanha nega qualquer privatização: em 9 de outubro, Flávio chamou o assunto de “boataria”, segundo a InfoMoney.

O segundo turno vai até domingo (25). O assessor de energia disse que a discussão pode acontecer; o candidato diz que o assunto é boato. A conta não é abstrata: é a que o produtor paga no posto da cidade do interior. Quem paga diesel, frete e fertilizante tem uma semana para decidir em qual das duas frases acredita.

Fontes