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"Gasolina a R$ 15": o que se sabe e o que é exagero

A previsão de gasolina a R$ 12 ou R$ 15 com Flávio não tem prova; o risco documentado está nas refinarias vendidas, que cobram preço de importação ou mais.

Fiscais da ANP acompanham o teste de combustível retirado da bomba de um posto
Fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) acompanham teste de combustível retirado da bomba em um posto do Distrito Federal, em abril de 2014.Foto: José Cruz / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Desde o começo de outubro, circula nas redes a previsão de que a gasolina chegaria a R$ 12 ou R$ 15 o litro num governo Flávio Bolsonaro (PL). Em 5 de outubro, o site Quenty analisou a conta e classificou a previsão como sem comprovação. Os números de R$ 10 e R$ 15 citados pelo comentarista Jones Manoel caem na mesma categoria.

Há fatos de sobra contra o candidato do PL nesta eleição. Mas o produtor rural merece a conta certa, não a conta que assusta. O número redondo da internet é exagero. O risco que existe está em outro lugar, e é esse que vale olhar com calma.

O que não se sabe

Ninguém sabe quanto custará o litro em 2027. O preço depende do petróleo lá fora, do dólar, dos impostos e da política de preços da Petrobras. Nenhuma dessas variáveis está fixada por uma promessa de campanha.

A campanha de Flávio também não disse se pretende voltar ao chamado PPI. A sigla quer dizer preço de paridade de importação: a regra que acompanha o valor do combustível importado, com dólar e frete. Não foi encontrada nenhuma posição explícita do candidato sobre o tema. O plano de governo promete, por outro lado, reduzir os impostos sobre combustíveis.

Portanto, quem afirma que a gasolina vai a R$ 15 está chutando. E chute não ajuda quem precisa fazer orçamento de safra.

Há outro problema no exagero. Ele dá à campanha de Flávio a chance de rebater um número falso e fugir do histórico verdadeiro. Quando o debate vira “R$ 15 ou não”, ninguém pergunta o que o candidato já disse sobre a Petrobras. E é justamente essa a pergunta que interessa a quem paga diesel.

O que se sabe

O que está documentado é o histórico do candidato com a Petrobras. Em abril de 2022, Flávio disse ao UOL que o pai havia autorizado estudar a privatização da estatal. Em dezembro de 2025, afirmou à Reuters, segundo a InfoMoney, que partes da empresa que não funcionam podem ser privatizadas.

O plano registrado em agosto não cita a Petrobras. Mas retoma o programa de privatizações “caso a caso”, segundo o portal eixos. Em 18 de agosto, o coordenador Rogério Marinho disse à CNN Brasil que não há plano de privatizar a empresa. Ressalvou, porém, que a venda de ativos não está descartada.

É aqui que o preço entra na conversa. Ativos da Petrobras incluem refinarias, as fábricas que transformam petróleo em gasolina e diesel. E já existe experiência de refinaria vendida no governo Jair Bolsonaro.

O exemplo de Manaus

Segundo reportagem do Brasil de Fato, veículo de esquerda, as refinarias privatizadas no governo Bolsonaro cobram preços iguais ou acima do PPI. O caso citado é o da Refinaria Isaac Sabbá (REAM), em Manaus. A reportagem aponta que isso ampliou desigualdades regionais no preço dos combustíveis.

Entre os argumentos dos críticos, esse é o mais bem apoiado em fatos. Ele não diz que a gasolina vai a R$ 15. Diz algo mais concreto: onde a refinaria passou para mãos privadas, o consumidor da região deixou de ter o amortecedor da estatal.

Para o interior, a lição é direta. Diesel caro encarece o frete da safra, o transporte do adubo e a ida do caminhão ao porto. Uma venda de refinarias muda quem define o preço na bomba de cada região.

O que diz a campanha: Flávio Bolsonaro chamou a discussão sobre a privatização da Petrobras de “boataria” em 9 de outubro e acusou o presidente Lula de usar a estatal eleitoralmente, segundo a InfoMoney. O plano de governo promete reduzir os impostos sobre combustíveis.

Na sexta-feira (16), o Aos Fatos checou a entrevista de Flávio à TV Globo. Concluiu que ele omitiu declarações suas e da própria equipe ao chamar de “terrorismo” a acusação de que privatizaria a Petrobras. Negar o histórico não ajuda o eleitor a decidir.

O segundo turno é no domingo (25). A gasolina a R$ 15 não tem prova, e este jornal não vai repeti-la. O que tem prova é um candidato que já defendeu vender partes da Petrobras e uma equipe que não descarta a venda de ativos. Para quem vive de frete e de diesel, isso basta para fazer a pergunta certa antes do voto.

Fontes