Arco Norte: como os portos do Norte encurtaram a rota dos grãos
Exportações de soja e milho pelos portos do Arco Norte passaram de 36,7 milhões para 57,6 milhões de toneladas entre 2020 e 2024, segundo a Conab.

Em 2024, os portos do Arco Norte embarcaram 57,6 milhões de toneladas de soja e milho para o exterior. Em 2020, tinham sido 36,7 milhões. Os números estão no Anuário Agrologístico 2025, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Arco Norte é o nome dado ao conjunto de portos do Norte e de parte do Nordeste que exportam grãos. Por muito tempo, o escoamento dependeu sobretudo dos portos do Sul e do Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR), segundo a Conab. A rota pelo Norte ganhou força porque, para boa parte de Mato Grosso, ela é mais curta.
Os principais pontos da rota
O caminho mais conhecido começa na BR-163. Os caminhões saem do norte de Mato Grosso e sobem até Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará. Ali ficam estações de transbordo, terminais onde a carga passa do caminhão para barcaças no rio Tapajós.
Pelo rio, os grãos seguem até os portos de Santarém e de Barcarena, onde fica o terminal de Vila do Conde, ambos no Pará. Nesses portos, a carga sobe nos navios de exportação. Santarém também recebe grãos que chegam pela própria BR-163.
Outra rota usa o rio Madeira. As barcaças saem de Porto Velho (RO) e descem até Itacoatiara, no Amazonas. Santana, no Amapá, também aparece entre os portos de grãos do Arco Norte nas estatísticas da Conab.
No Maranhão, o porto do Itaqui, em São Luís, recebe grãos por trem, pela Ferrovia Norte-Sul. Ele atende vários estados, com destaque para o Matopiba, a fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Segundo a Conab, o Itaqui foi de 11,2 milhões para 20,2 milhões de toneladas exportadas entre 2020 e 2024.
Por que o caminho é mais barato
A distância pesa no frete. Pela tabela da Conab, a viagem de caminhão de Sorriso (MT) a Santarém tem cerca de 1.380 quilômetros. Até Santos, são cerca de 2.287 quilômetros.
Em 2024, o frete médio de Sorriso a Santarém ficou em R$ 318 por tonelada. Para Santos, a média foi de R$ 456. A diferença média chegou a R$ 137,50 por tonelada, segundo a companhia.
Há ainda o frete de retorno. Navios e caminhões que levam grãos para fora podem voltar com fertilizantes importados. Segundo a Conab, isso reduz o custo da rota, sobretudo no Itaqui.
A BR-163 foi decisiva. Em fevereiro de 2020, o governo federal inaugurou o último trecho de asfalto entre Mato Grosso e Miritituba, informou O Liberal.
Na soja, a fatia exportada pelo Arco Norte subiu de 31,7% em 2020 para 34,8% em 2024. No milho, ficou perto de 46%, de acordo com a Conab.
O que diz a Conab: No anuário, a companhia afirma que o Arco Norte cresce pela proximidade das novas fronteiras agrícolas, pelos fretes de retorno com fertilizantes e por investimentos em infraestrutura. A Conab também alerta que secas severas ainda prejudicam a navegação nos rios Madeira, Tapajós e Amazonas.
A rota do Norte não substitui Santos e Paranaguá, mas dá ao produtor mais uma saída e mais poder na negociação do frete. O ponto fraco é a dependência dos rios. Em 2023 e 2024, a seca desviou para o Itaqui e para Santos parte do milho que iria para Barcarena, segundo a Conab.


