Safra

Cana no Centro-Sul: como funcionam a safra, a moagem e o ATR

A safra de cana do Centro-Sul vai de abril a março. O produtor recebe pelo açúcar que a cana entrega, e a usina decide quanto vira açúcar ou etanol.

Ilustração abstrata em tons de verde, dourado e vermelho-brasa, com colmos de cana estilizados e a silhueta de uma usina
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O Brasil deve colher 705,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27. A estimativa é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em 20 de agosto. O número é 4,7% maior que o do ciclo anterior.

Segundo a Conab, a produção de açúcar deve cair 2,9%, para 42,89 milhões de toneladas. Já o etanol de cana deve subir 9,7%, para quase 30 bilhões de litros. Para entender esses números, é preciso saber como funciona a safra no Centro-Sul.

De abril a março

O Centro-Sul reúne os estados do Sudeste, do Centro-Oeste e do Sul. É ali que está a maior parte da cana do país. Só São Paulo deve colher 362,8 milhões de toneladas nesta safra, segundo a Conab.

Na região, a safra começa em abril e termina em março do ano seguinte. A cana é colhida e levada para as usinas, onde é moída. A moagem é a etapa em que a cana é esmagada para extrair o caldo. Desse caldo saem o açúcar e o etanol.

O ritmo é maior no meio do ano, com tempo mais seco. Chuva forte atrapalha a colheita e pode parar as máquinas. O Nordeste segue um calendário diferente.

O produtor recebe pelo açúcar, não pelo peso

A cana não é paga só pelo peso. O que conta é o ATR, sigla de açúcar total recuperável. Ele mede quantos quilos de açúcar cada tonelada de cana consegue entregar à indústria.

Em São Paulo, a referência é o sistema do Consecana-SP, o Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo. O conselho reúne fornecedores de cana, representados pela Orplana, e as usinas, representadas pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

O preço do quilo de ATR é calculado todo mês. Ele acompanha os preços do açúcar e do etanol vendidos pelas usinas. Em abril, segundo o portal NovaCana, a Unica e a Orplana assinaram um acordo para rever o modelo. O texto cria um adicional de 4,5% na remuneração, garantido ao produtor.

Açúcar ou etanol: a usina decide

Cada usina escolhe quanto da cana vira açúcar e quanto vira etanol. Essa divisão é chamada de mix. A decisão depende dos preços de cada produto e da capacidade da fábrica.

Quando o açúcar paga mais no mercado internacional, o mix pende para o adoçante. Quando o etanol compensa mais, as usinas destinam mais cana ao combustível.

O que diz a Conab: No segundo levantamento da safra 2026/27, a companhia projeta menos açúcar e mais etanol de cana. Os próximos números estão previstos no calendário oficial de 2026, com o terceiro levantamento marcado para 22 de dezembro.

Onde acompanhar

A Unica publica relatórios de acompanhamento da safra do Centro-Sul, com dados por quinzena. Eles trazem moagem, ATR por tonelada e o mix entre açúcar e etanol. A Conab faz levantamentos próprios, que cobrem todo o país.

Os números de cana mexem com o preço do etanol na bomba e com as exportações de açúcar. Também definem quanto recebe o fornecedor que vende cana para a usina. Por isso, vale acompanhar cada nova estimativa até o fim da safra, em março.

Fontes