Opinião

Oposição forte a Lula vence em 2030. Governo Flávio afunda a direita

Aos 80 anos, Lula disse em Porto Alegre que esta é sua última eleição; com 121 deputados, o PL pode liderar uma oposição forte e se preparar para 2030.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Pau-Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante ato de campanha em Natal, no Rio Grande do Norte, no cruzamento da rua Baraúna com a rua Cel. Estevam
O presidente Lula durante o ato de campanha O Brasil Pronto Pra Mais, em Natal (RN), em 10 de outubro de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Ontem, 19 de outubro, em Porto Alegre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que esta é a sua última disputa eleitoral. Ele falava aos 80 anos. A declaração está registrada pelo Poder360.

A frase muda o cálculo da direita. Se Lula não disputa a próxima eleição, a direita não precisa se casar com o candidato deste ano. O argumento aqui é tático, não ideológico. Ninguém pede conversão ao PT.

Este colunista é de direita, defende a Lava Jato, a polícia e o agro. Abaixo, a conta de armazém: o que convém à direita nos próximos quatro anos.

Um Congresso enorme para fiscalizar

Se Lula vencer, ele governará olhando para um Congresso grande e de direita. O PL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados: são 121 deputados, segundo a Agência Brasil. No Senado, o partido terá 28 cadeiras — mais de um terço da Casa.

Uma oposição forte fiscaliza, bloqueia o que for ruim e se prepara para 2030. Bancada grande cobra prestação de contas, trava o que encarecer o crédito e o frete e disputa o orçamento. Quem vive do agro sabe: governo nenhum se fiscaliza com amigo.

Já uma direita no governo com Flávio gasta quatro anos explicando Vorcaro. É o caso Dark Horse: o inquérito apura dinheiro que Flávio buscou junto ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre o pai. Segundo a Agência Brasil, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu o senador como investigado, a pedido da Polícia Federal (PF).

As suspeitas, segundo a mesma reportagem, são de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas — mandar dinheiro para fora do país na surdina. Investigado, não réu. Mas é a bandeira que a direita teria de defender todos os dias.

Um mandato de Flávio queima a direita por uma geração. Essa é a tese desta coluna. Perder uma eleição é acidente; perder o nome é herança. A pauta de governo viraria pauta de defesa, semana após semana.

2030 já está aberto

A próxima disputa já começou, e não sou só eu quem digo. Aliados de Tarsício, sem se identificar, veem a derrota de Flávio como a chance deles em 2030, segundo o PlatoBR. São aliados anônimos: ninguém deve pôr na boca de Tarsício o que ele não disse.

O colunista Sílvio Ribas, da Gazeta do Povo, argumenta que uma vitória de Lula pode tirar os Bolsonaro do jogo de 2030. É o mesmo raciocínio dito de outro jeito: sem o Planalto, o sobrenome volta a ser um nome entre outros.

Flávio prometeu um mandato só. Em 16 de outubro, disse que cumpriria um único mandato e que a regra também deveria alcançar parentes, segundo o Poder360. A promessa, porém, depende de uma PEC parada no Senado — proposta de emenda à Constituição, que exige três quintos das duas Casas.

Um analista citado pela Gazeta do Povo chamou a promessa de “principalmente simbólica”. Promessa não é lei.

A própria direita tinha nomes sem esse histórico, como Tarsício e Caiado. Perder em 2026 não deixa a direita órfã; deixa o campo aberto para 2030.

Não peço ao leitor que aplauda o governo. Registro apenas o que o agro conhece: as exportações do campo bateram recorde em 2025 — US$ 169,2 bilhões, segundo o Forbes Agro. O argumento não é amar o PT. É preservar a direita para 2030.

A conta final é esta: um último mandato de Lula, vigiado pelo Congresso mais à direita da história recente, e um palanque limpo em 2030. Ou quatro anos de governo Flávio, amarrado ao caso Dark Horse. É um voto tático, o mal menor para a direita. Não finjo que Lula seja de direita.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em 16 de outubro, ele prometeu cumprir apenas um mandato e disse que a regra de mandato único deve valer também para parentes, segundo o Poder360. Para a campanha, vencer agora é o que importa: na leitura deles, esperar 2030 seria entregar o país ao PT por mais quatro anos.

No domingo, 25, quem é de direita decide com a urna o que quer ser em 2030. Melhor quatro anos de oposição forte contra Lula do que quatro anos defendendo Flávio. A direita vence em 2030 se não afundar antes.

Fontes