Opinião

O voto mais de direita no dia 25 é contra Flávio

Pesquisa Nexus/BTG mostra que 41% dos eleitores de Augusto Cury e 30% dos de Renan Santos consideram votar em Lula no segundo turno.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Pau-Brasil.

Eleitores em uma seção eleitoral no dia de votação do primeiro turno das eleições de 2018, na escola Unieuro, em Águas Claras (DF)
Seção eleitoral na escola Unieuro, em Águas Claras (DF), no primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, em foto de 7 de outubro de 2018.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Uma pesquisa Nexus/BTG, divulgada em 12 de outubro, mediu o que os palanques evitam dizer em voz alta. Segundo a Gazeta do Povo, 41% dos eleitores de Augusto Cury e 30% dos de Renan Santos consideram votar em Lula no segundo turno. É o eleitorado de direita em dúvida — o público-alvo desta eleição.

Este colunista é de direita, dos que defendem a Lava Jato, a polícia e o agro. Não escrevo para o bolsonarista convicto, que já fechou o voto. Escrevo para quem carrega a bandeira e não consegue mais ouvir o nome do candidato do PL sem desconforto.

O público deste argumento é exatamente quem já balançou. Quem é bolsonarista convicto não será convencido, e não é o alvo. O alvo é o eleitor de direita que ainda olha a urna e pensa.

A corrida, aliás, está no fio. Na Quaest de 14 de outubro, Flávio Bolsonaro somava 46%, contra 44% de Lula, segundo o Estado de Minas. A rejeição é alta nos dois lados: 54% contra 53%.

Com números assim, nenhum dos dois vence só com a base fiel. Quem está em dúvida decide a eleição.

Quem na direita já disse não

Kim Kataguiri, do partido Missão, cravou em maio: “A direita brasileira não pode ser refém de bandido.” A frase é do O Antagonista. Renan Santos, também do Missão, foi mais duro em outubro. Segundo o site Muita Informação, disse sentir “asco” e “ojeriza” de Flávio, avaliou que ele faria do Brasil uma engrenagem americana e liberou os eleitores do partido no segundo turno.

Liberar não é pedir voto em Lula. Nenhum dos dois pede. O gesto é de recusa: não emprestar a direita a quem não a representa.

No campo evangélico, o apoio veio morno. O pastor Silas Malafaia disse que a candidatura “não empolgou” e que preferia a chapa Tarsício e Michelle, segundo o Fuxico Gospel. Depois, declarou que apoia Flávio, mas não organizará atos de campanha, segundo o Poder360.

Os partidos também recuaram. O PSD e o PSDB decidiram ficar neutros no segundo turno, segundo o SBT News. Neutro é quem não quer emprestar o nome — e quem não se dispõe a subir no palanque para defender o candidato.

O recuo não apaga o que foi dito

Aqui é preciso ser honesto com o leitor: a maioria dos críticos de direita acabou apoiando Flávio. Romeu Zema, por exemplo, disse em maio que ouvir Flávio pedir dinheiro ao banqueiro Vorcaro era “imperdoável” e “um tapa na cara” dos brasileiros de bem. Hoje apoia o candidato.

O que Zema disse em maio não deixou de ser verdade porque ele mudou de posição em outubro. O recuo dos críticos mostra uma direita refém de um sobrenome — exatamente o que Kataguiri avisou. Apoiar Flávio para derrotar o PT é uma escolha legítima. Entregar a marca da direita a ele por quatro anos é o preço que ninguém calculou.

O voto mais de direita que existe no dia 25, portanto, não é um voto a favor de Lula. É um voto contra a entrega da direita a Flávio. É recusar que as pautas da Lava Jato, da ordem e da coerência fiquem atreladas a esse sobrenome até 2030.

Em 2030, a direita pode voltar limpa, com nome e histórico próprios — se não emprestar a bandeira agora. Os valores de quem sustenta o campo — trabalho, mérito e palavra — não mudam de preço conforme a pesquisa. Ninguém pede que o leitor goste de Lula. Pede-se apenas que a direita não queime a si mesma.

O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Flávio lidera as pesquisas — 46% a 44% na Quaest — e a maior parte da direita fechou com ele no segundo turno. Para muitos eleitores, derrotar o PT pesa mais do que qualquer crítica ao candidato. Este argumento não fala com o bolsonarista convicto; fala com o eleitor em dúvida.

No domingo, 25, o eleitor de direita em dúvida tem nas mãos o resultado. Rejeição alta dos dois lados, dois pontos de distância. O voto mais de direita que se pode dar neste segundo turno é contra Flávio — para que a direita continue sendo a direita em 2030.

Fontes