O voto mais de direita no dia 25 é contra Flávio
Pesquisa Nexus/BTG mostra que 41% dos eleitores de Augusto Cury e 30% dos de Renan Santos consideram votar em Lula no segundo turno.
Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Pau-Brasil.

Uma pesquisa Nexus/BTG, divulgada em 12 de outubro, mediu o que os palanques evitam dizer em voz alta. Segundo a Gazeta do Povo, 41% dos eleitores de Augusto Cury e 30% dos de Renan Santos consideram votar em Lula no segundo turno. É o eleitorado de direita em dúvida — o público-alvo desta eleição.
Este colunista é de direita, dos que defendem a Lava Jato, a polícia e o agro. Não escrevo para o bolsonarista convicto, que já fechou o voto. Escrevo para quem carrega a bandeira e não consegue mais ouvir o nome do candidato do PL sem desconforto.
O público deste argumento é exatamente quem já balançou. Quem é bolsonarista convicto não será convencido, e não é o alvo. O alvo é o eleitor de direita que ainda olha a urna e pensa.
A corrida, aliás, está no fio. Na Quaest de 14 de outubro, Flávio Bolsonaro somava 46%, contra 44% de Lula, segundo o Estado de Minas. A rejeição é alta nos dois lados: 54% contra 53%.
Com números assim, nenhum dos dois vence só com a base fiel. Quem está em dúvida decide a eleição.
Quem na direita já disse não
Kim Kataguiri, do partido Missão, cravou em maio: “A direita brasileira não pode ser refém de bandido.” A frase é do O Antagonista. Renan Santos, também do Missão, foi mais duro em outubro. Segundo o site Muita Informação, disse sentir “asco” e “ojeriza” de Flávio, avaliou que ele faria do Brasil uma engrenagem americana e liberou os eleitores do partido no segundo turno.
Liberar não é pedir voto em Lula. Nenhum dos dois pede. O gesto é de recusa: não emprestar a direita a quem não a representa.
No campo evangélico, o apoio veio morno. O pastor Silas Malafaia disse que a candidatura “não empolgou” e que preferia a chapa Tarsício e Michelle, segundo o Fuxico Gospel. Depois, declarou que apoia Flávio, mas não organizará atos de campanha, segundo o Poder360.
Os partidos também recuaram. O PSD e o PSDB decidiram ficar neutros no segundo turno, segundo o SBT News. Neutro é quem não quer emprestar o nome — e quem não se dispõe a subir no palanque para defender o candidato.
O recuo não apaga o que foi dito
Aqui é preciso ser honesto com o leitor: a maioria dos críticos de direita acabou apoiando Flávio. Romeu Zema, por exemplo, disse em maio que ouvir Flávio pedir dinheiro ao banqueiro Vorcaro era “imperdoável” e “um tapa na cara” dos brasileiros de bem. Hoje apoia o candidato.
O que Zema disse em maio não deixou de ser verdade porque ele mudou de posição em outubro. O recuo dos críticos mostra uma direita refém de um sobrenome — exatamente o que Kataguiri avisou. Apoiar Flávio para derrotar o PT é uma escolha legítima. Entregar a marca da direita a ele por quatro anos é o preço que ninguém calculou.
O voto mais de direita que existe no dia 25, portanto, não é um voto a favor de Lula. É um voto contra a entrega da direita a Flávio. É recusar que as pautas da Lava Jato, da ordem e da coerência fiquem atreladas a esse sobrenome até 2030.
Em 2030, a direita pode voltar limpa, com nome e histórico próprios — se não emprestar a bandeira agora. Os valores de quem sustenta o campo — trabalho, mérito e palavra — não mudam de preço conforme a pesquisa. Ninguém pede que o leitor goste de Lula. Pede-se apenas que a direita não queime a si mesma.
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: Flávio lidera as pesquisas — 46% a 44% na Quaest — e a maior parte da direita fechou com ele no segundo turno. Para muitos eleitores, derrotar o PT pesa mais do que qualquer crítica ao candidato. Este argumento não fala com o bolsonarista convicto; fala com o eleitor em dúvida.
No domingo, 25, o eleitor de direita em dúvida tem nas mãos o resultado. Rejeição alta dos dois lados, dois pontos de distância. O voto mais de direita que se pode dar neste segundo turno é contra Flávio — para que a direita continue sendo a direita em 2030.
Fontes
- Ofensiva de Lula sobre eleitores de direita contra Flávio no segundo turno — Gazeta do Povo
- Quaest divulga primeira pesquisa do 2º turno entre Flávio e Lula — Estado de Minas
- Flávio é um bandido e a direita não pode ser refém, diz Kataguiri — O Antagonista
- Renan Santos critica Flávio Bolsonaro e libera eleitor do Missão no 2º turno: “tenho ojeriza” — Muita Informação
- Silas Malafaia critica Flávio Bolsonaro e defende chapa Tarsício e Michelle — Fuxico Gospel
- Malafaia diz que apoia Flávio, mas não organizará atos de campanha — Poder360
- PSD anuncia neutralidade no 2º turno entre Lula e Flávio — SBT News
- “É um tapa na cara dos brasileiros”, diz Romeu Zema ao criticar Flávio Bolsonaro — BP Money



