Opinião

O que o campo espera de quem vencer a eleição presidencial

A uma semana do segundo turno, o Jornal Pau-Brasil lista seis compromissos que o agro e o interior precisam cobrar de quem assumir em 2027.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Pau-Brasil.

Ilustração abstrata em tons de terra escura e dourado, com a silhueta estilizada de uma árvore sobre faixas horizontais
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

No domingo, 25 de outubro, os eleitores voltam às urnas para escolher o presidente da República. A disputa é entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Este jornal não apoia candidato. Mas o campo tem uma pauta, e ela vale para quem vencer.

O agro responde por boa parte das exportações e sustenta a economia de milhares de cidades do interior. As decisões dos próximos quatro anos vão pesar na renda de quem produz. Abaixo, os compromissos que o Jornal Pau-Brasil considera indispensáveis.

Crédito e seguro previsíveis

O Plano Safra 2026/27 foi anunciado com R$ 610,3 bilhões. Mesmo assim, o crédito liberado em julho e agosto caiu 37,8% em um ano, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). O próximo governo precisa garantir regras conhecidas com antecedência e dinheiro liberado no tempo do plantio.

No seguro rural, houve um avanço. A Lei 15.526, de setembro, tornou obrigatória a despesa federal com a subvenção ao prêmio do seguro e proibiu o seu bloqueio. Mas o valor continua definido no orçamento de cada ano. É ali que o compromisso será medido.

Logística e segurança jurídica

O frete caro sai do preço pago ao produtor. Os estudos da Ferrogrão, que ligaria Mato Grosso ao Pará, foram atualizados em setembro e voltaram ao Tribunal de Contas da União (TCU). Ferrovias e hidrovias exigem regras estáveis, que atravessem mais de um mandato.

Na área ambiental, o Código Florestal só funciona com análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Segundo o Climate Policy Initiative e a PUC-Rio, só 724 mil cadastros estavam validados no fim de 2025. O próximo governo deve apoiar os estados para acelerar essa fila. Regra clara protege tanto o produtor em dia quanto a floresta.

Mercados, conexão e clima

A cota da China para a carne bovina brasileira acabou no fim de setembro, e a tarifa extra de 55% passou a valer. A lição é abrir novos mercados com diplomacia comercial permanente, usando o status sanitário do país como argumento.

No campo, 88% dos domicílios tinham internet em 2025, contra 95,8% na cidade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sem sinal, não há agricultura de precisão, Pix ou teleconsulta. Os próximos leilões de frequências devem trazer metas de cobertura para áreas rurais.

Por fim, o clima. Em setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou que deve haver um El Niño muito forte na primavera e no início do verão. O fenômeno aumenta a chance de chuva acima da média no Sul e abaixo da média no Norte e no Nordeste. Quem assumir em 2027 pode ter de lidar com perdas na colheita e precisa de regras de renegociação definidas antes da crise.

O que dizem os candidatos: Pela Lei das Eleições, os candidatos a presidente registram na Justiça Eleitoral as propostas que defendem. Os programas de governo de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) estão publicados no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na página de cada candidatura. O leitor pode comparar ali o que cada um propõe para o campo.

O voto é de cada eleitor. O papel deste jornal é lembrar que o interior não vive de promessas de campanha, e sim de políticas que duram mais que um mandato. Pela Constituição, o novo mandato começa em 5 de janeiro de 2027. A partir desse dia, essa pauta estará na mesa de quem vencer.

Fontes