O agro pagou o tarifaço que Flávio agradeceu
Em julho de 2025, Flávio Bolsonaro agradeceu a Trump, no X, o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros; depois disse que se arrependeu e apagou o post.
Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as do Jornal Pau-Brasil.

No dia 9 de julho de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agradeceu ao presidente americano, Donald Trump, por causa do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. A publicação saiu no X, a rede social. A informação é da CNN Brasil e da SBT News.
O post foi apagado depois. Em entrevista à CNN Brasil, o senador disse: “me arrependo da postagem”.
Este colunista é de direita. Sou dos que defendem a Lava Jato, a polícia e o agro. E escrevo sobre esta eleição de olho na porteira, porque é lá que a conta chega.
Tarifa é o imposto que um país cobra sobre os produtos de outro. Quando o imposto sobe de propósito, para punir, vira tarifaço. Quem sente o peso é quem produz, quem carrega e quem vende.
A conta chegou na porteira
O agro exportou US$ 169,2 bilhões em 2025, um recorde, segundo o Forbes Agro. Esse dinheiro paga o frete, o insumo e a safra seguinte. Ele sustenta o comércio das cidades do interior.
Para quem vive de exportar, tarifa não é abstração. É a diferença entre lucro e prejuízo na mesma saca.
Quem acompanha a estrada entende o caminho do prejuízo: caminhões descem cheios até os portos, a mercadoria embarca e a tarifa encarece o produto brasileiro lá fora. Encarecido, ele vende menos ou vende por menos. Quem corrige a conta é o produtor, o caminhoneiro e a cidade que vive da lavoura.
O próprio governo federal reconheceu o tamanho do problema. O Plano Brasil Soberano abriu R$ 30 bilhões em crédito para exportadores atingidos pelo tarifaço, segundo a Agência Brasil. Exportador atingido é produtor que viu o custo de vender lá fora subir.
O recuo e a ida a Washington
Em 2026, a cobrança voltou. Tarifas americanas de 25% sobre produtos brasileiros entraram em vigor em 15 de julho. Nos dias 6 e 7 do mês, Flávio foi aos Estados Unidos para pedir a suspensão da medida, segundo a Band. Ele culpou o presidente Lula pela briga comercial.
O pedido foi ao USTR, o escritório do governo americano que cuida do comércio exterior. É o mesmo país que ele havia agradecido um ano antes. Apagar o post não apagou o tarifaço.
O eleitor respondeu antes dos editorialistas. Segundo uma pesquisa Quaest citada pela Reuters, 42% dos eleitores ficaram mais propensos a votar em Lula por causa das tarifas; 27% ficaram mais propensos a Flávio. Na leitura da pesquisa, o tarifaço ajudou o adversário, não o agradecido.
A história tem um agravante na família. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou em 16 de junho de 2026 Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, a 4 anos e 2 meses de prisão, por coação. Segundo a Agência Brasil, ele buscou tarifas e sanções americanas para travar o julgamento do pai.
Líderes do agro ouvidos pelo jornal O Globo, sem se identificar, chamaram a viagem de Flávio de “contraproducente”. Na leitura deles, o senador colocou a ideologia acima do campo. A reportagem foi republicada pelo portal Imirante.
Patriota não agradece tarifa contra o Brasil. Patriotismo é defender o exportador brasileiro, não o tarifaço de Trump. Nós, que defendemos o agro, conhecemos o valor de um mercado aberto: não é ideologia, é fatura.
Este colunista discorda de vários pontos da política externa de Lula. Discordar do governo, porém, não obriga ninguém a elogiar quem pune o país.
Por isso o apelo desta coluna a quem é de direita: não entregue a bandeira da soberania a Flávio Bolsonaro no dia 25. Não é preciso gostar de Lula para isso. Basta não esquecer quem agradeceu.
O que diz Flávio Bolsonaro: Ele afirma que se arrependeu da publicação de 2025 e que a apagou, segundo a CNN Brasil. Em julho de 2026, viajou a Washington para pedir ao USTR a suspensão das tarifas; segundo a Band, ele culpa o governo Lula pela cobrança.
O segundo turno é no domingo, 25 de outubro. Quem vive do campo sabe guardar contas: a safra bateu recorde, o tarifaço bateu na porteira e um candidato agradeceu. O voto de quem produz pode impedir que a direita fique marcada, por uma geração, com esse agradecimento.
Fontes
- Flávio Bolsonaro à CNN: “Me arrependo da postagem sobre tarifas de Trump” — CNN Brasil
- Flávio também agradeceu a Trump por tarifas em 2025 — SBT News
- Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos para audiência sobre tarifas — Band
- US tariffs shake up Brazil’s presidential race as candidates trade blame — Reuters via The Star
- Agro brasileiro fecha 2025 com exportações recordes de US$ 169 bilhões — Forbes Agro
- Saiba quais são as medidas do Plano Brasil Soberano — Agência Brasil
- Agro critica estratégia de Flávio nos EUA e vê senador perder espaço no setor — Imirante/O Globo
- STF condena Eduardo Bolsonaro à inelegibilidade e a 4 anos de prisão — Agência Brasil



