Crédito rural

Plano Safra: como funciona o crédito rural com juros equalizados

O plano 2026/27 soma R$ 610,3 bilhões. Entenda as linhas de crédito, quem empresta o dinheiro e por que o Tesouro paga parte dos juros cobrados do produtor.

Ilustração abstrata em tons de dourado e terra, com colunas geométricas de alturas diferentes que lembram um gráfico de barras
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O Plano Safra 2026/27 reúne R$ 610,3 bilhões em crédito para o campo, válidos de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027. Desse total, R$ 525,1 bilhões vão para a agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para a agricultura familiar. Os números constam de informe técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), publicado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Apesar do nome, o Plano Safra não é um cofre do governo. Ele é um conjunto de regras, limites e juros para o crédito rural, anunciado todo ano perto do início de julho. O período acompanha o ano agrícola, que vai de julho a junho.

Quem cuida de cada plano

A parte empresarial é conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A agricultura familiar tem um plano próprio, a cargo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). É nele que ficam as linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Quem empresta, na prática, são os bancos e as cooperativas de crédito. Segundo o Banco Central (BC), o dinheiro vem de várias fontes. Entre elas estão os depósitos à vista, a poupança rural, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), o BNDES e os fundos constitucionais. Os bancos também usam recursos próprios.

As quatro finalidades do crédito

O BC divide o crédito rural em quatro finalidades. O custeio paga as despesas do ciclo, da compra de insumos à colheita. O investimento financia bens que duram várias safras, como um trator ou um armazém.

A comercialização dá fôlego ao produtor ou à cooperativa na hora de vender a produção. Já a industrialização financia o beneficiamento feito por cooperativas ou pelo próprio produtor na fazenda.

O que é a equalização de juros

Parte do crédito rural sai com juros abaixo dos praticados no mercado. Para isso funcionar, o Tesouro Nacional paga aos bancos uma subvenção chamada equalização de juros, prevista na Lei 8.427, de 1992. Pela lei, ela cobre a diferença entre o custo do dinheiro para o banco, somado a despesas administrativas e tributos, e os juros cobrados do produtor.

Na safra 2026/27, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) cobra 9% ao ano, segundo o informe da Faesp. Para os demais produtores, o custeio sai a 12,5% ao ano. Como a equalização é paga com dinheiro público, o volume de crédito subsidiado depende do orçamento de cada ano.

Onde estão as regras

As normas do crédito rural são aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e reunidas no Manual de Crédito Rural (MCR), publicado pelo BC. Lá estão os limites, os prazos, os juros e as exigências de cada linha.

Algumas exigências valem para quase todos os casos. O produtor precisa apresentar orçamento, plano ou projeto e seguir um cronograma de uso e pagamento. Também deve respeitar o zoneamento agrícola, que indica onde e quando plantar com menos risco.

O que diz o Banco Central: Segundo o BC, as normas do crédito rural são aprovadas pelo CMN, e as instituições financeiras as aplicam no dia a dia com os clientes. O banco afirma que fiscaliza se a liberação e o uso do dinheiro seguem as regras publicadas.

Entender o Plano Safra ajuda o produtor a negociar melhor. Antes de assinar, vale comparar as linhas disponíveis, conferir os juros no MCR e perguntar ao banco se a operação tem recurso equalizado.

Fontes