Previsão do tempo e previsão climática: o que cada uma diz ao produtor
A previsão do tempo mostra os próximos dias. A climática indica tendências para três meses, em probabilidades. Veja quem publica e como usar cada uma.

Em 24 de agosto, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) publicou a previsão climática para setembro, outubro e novembro. O centro faz parte do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O mapa indica mais chance de chuva acima do normal no Sul. No Norte e no Nordeste, a maior chance é de chuva abaixo do normal.
Esse tipo de previsão não diz se vai chover na sua cidade na próxima terça-feira. Para isso existe a previsão do tempo. As duas são úteis, mas respondem a perguntas diferentes.
Tempo: o que acontece nos próximos dias
A previsão do tempo descreve como a atmosfera deve se comportar em um lugar, hora a hora ou dia a dia. Ela informa se vai chover, quanto, qual será a temperatura e a força do vento.
É a previsão usada para decidir o trabalho da semana. Serve para escolher o dia de semear, de pulverizar ou de colher. A confiança é maior para os primeiros dias e cai à medida que o prazo se alonga.
Clima: a tendência dos próximos meses
A previsão climática olha para um período longo, em geral de três meses. Ela não diz o dia da chuva. Diz se o total do período tende a ficar abaixo, dentro ou acima do normal.
O “normal” vem da média de 30 anos de medições. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) usa como referência as normais climatológicas de 1991 a 2020.
Para montar as faixas, os meteorologistas dividem os anos do histórico em três grupos iguais, chamados tercis. O terço mais seco forma a faixa abaixo do normal, e o terço mais chuvoso, a faixa acima. A previsão aponta qual dessas três faixas é a mais provável.
Por isso, a previsão climática é sempre uma probabilidade, e não uma certeza. Nas áreas em branco do mapa, as três faixas têm chances iguais. Ou seja, os modelos não indicam tendência clara para ali.
Quem publica no Brasil
A previsão climática oficial é feita em conjunto pelo CPTEC/INPE, pelo INMET e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O INMET também divulga a previsão do tempo e os avisos de tempo severo para todo o país.
Vários estados têm centros próprios. É o caso do Simepar, no Paraná, e da Epagri/Ciram, em Santa Catarina. Eles costumam detalhar a previsão para as regiões do estado.
Como o produtor pode usar cada uma
A previsão climática ajuda no planejamento da safra. Ela pode orientar a escolha da cultivar, a data de plantio dentro da janela recomendada e a contratação de seguro.
Neste ano, por exemplo, a previsão de agosto indicou um padrão compatível com o El Niño. Também apontou chance de pequeno atraso no início das chuvas no Centro-Oeste.
Já a previsão do tempo orienta a operação do dia a dia. Semear com o solo seco e sem chuva à vista, por exemplo, aumenta o risco de falhas na lavoura.
O que diz o CPTEC/INPE: Na previsão de agosto, o centro afirma que a tendência de chuva acima do normal no Sul reforça a necessidade de monitorar as previsões de tempo, para os próximos dias, e as subsazonais, para as próximas semanas.
As duas previsões se completam. A climática mostra o tamanho do risco da estação. A do tempo indica o melhor momento de entrar na lavoura.


