Clima e tempo

Inmet prevê El Niño muito forte na primavera e no início do verão

Agência dos EUA vê mais de 90% de chance de um evento muito forte. Sul pode ter chuva demais, e o Centro-Norte, falta de água no plantio da safra.

Ilustração abstrata em tons de azul e dourado, com nuvens e faixas de chuva sobre uma lavoura
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Nesta quinta-feira (10), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou que o El Niño deve ficar muito forte entre a primavera e o início do verão. A avaliação usa dados divulgados no mesmo dia pela agência de oceanos e atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).

Segundo a NOAA, há mais de 90% de chance de um El Niño muito forte na primavera e no verão do Hemisfério Sul. A agência também calcula 75% de chance de o evento ser o mais forte desde 1950, no trimestre de outubro a dezembro de 2026.

O que é o El Niño

O El Niño é o aquecimento anormal das águas da superfície do Oceano Pacífico, na faixa da linha do Equador. Esse calor extra muda os ventos e o regime de chuvas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Para medir o fenômeno, os cientistas acompanham a temperatura do mar em áreas do Pacífico. A principal referência é a região chamada Niño 3.4. Segundo o INMET, o desvio ali passou de 1,4 °C acima da média em julho para 1,8 °C em agosto.

As condições de El Niño foram confirmadas em junho. Segundo o Painel El Niño, um evento muito forte significa água do Pacífico Equatorial mais de 2 °C acima da média.

Chuva demais no Sul, de menos no Centro-Norte

Os efeitos esperados estão no Painel El Niño, boletim mensal do INMET com outras seis instituições federais. A edição de agosto vale para setembro, outubro e novembro.

O boletim indica mais chance de chuva acima da média no Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Nessas áreas, o alerta é para cheias e inundações.

No Norte e no Nordeste, a tendência é de chuva abaixo da média. O mesmo vale para partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. A temperatura deve ficar acima da média na maior parte do país.

Na Amazônia e no Pantanal, a seca pode se prolongar em algumas áreas. Isso reduz a água disponível e aumenta o risco de incêndios florestais.

O que muda no plantio da safra 2026/27

Para o campo, o boletim aponta dois cenários. No Centro-Oeste, a chuva abaixo da média em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal pode dificultar o início das lavouras de verão, como a soja. A volta da umidade em novembro deve ajudar quem plantar mais tarde, mas veranicos ainda podem atingir a soja.

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) vê um possível pequeno atraso no início das chuvas no Centro-Oeste. Pela previsão de agosto, elas podem começar só no fim de outubro.

No Sul, o excesso de umidade pode favorecer doenças, atrapalhar a colheita do trigo e piorar a qualidade dos grãos. Também pode atrasar a semeadura das lavouras de verão. Por outro lado, chuva e temperatura acima da média reduzem o risco de geadas tardias.

No Maranhão e no Piauí, o tempo seco pode dificultar o início da safra 2026/27, segundo o boletim.

O que diz o INMET: O instituto afirma que “um El Niño mais intenso não implica, necessariamente, impactos mais severos”. O INMET e as demais instituições do Painel El Niño recomendam acompanhar de forma contínua as condições do tempo e as orientações da Defesa Civil.

A NOAA publica a próxima atualização em 8 de outubro, e o Painel El Niño sai todo mês. Até lá, a recomendação para o produtor é planejar o plantio com cuidado. Vale seguir as janelas do zoneamento agrícola e acompanhar a previsão do tempo da semana antes de semear.

Fontes