Clima e tempo

Geada: como se forma e quais lavouras correm mais risco no país

Noites limpas depois de uma massa de ar polar favorecem a geada. Café, milho safrinha, trigo e hortaliças estão entre as lavouras mais expostas.

Ilustração abstrata em tons de azul-claro, branco e dourado, com cristais de gelo estilizados sobre folhas e faixas de lavoura
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em julho de 2021, fortes massas de ar polar levaram geada a cafezais de Minas Gerais. Segundo a Embrapa, 12 estações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em áreas de café no estado marcaram menos de 4 °C nos dias 20 e 30 daquele mês. Seis delas registraram temperatura abaixo de zero.

O episódio mostrou como uma única noite fria pode afetar uma safra. Por isso, entender a geada ajuda o produtor a se preparar.

Como a geada se forma

A geada acontece quando a temperatura das plantas e do solo cai a 0 °C ou menos. No Brasil, ela costuma vir depois da passagem de uma massa de ar polar, que avança em geral de sudoeste para nordeste e derruba as temperaturas.

O momento de maior risco é a noite seguinte à chegada do frio. Sem nuvens e com ar seco, o solo e as plantas perdem calor rapidamente para o céu. O ar frio, mais pesado, se acumula junto ao chão e nas baixadas.

Esse tipo é chamado de geada de radiação. Quando há umidade no ar, forma-se gelo sobre as folhas, a chamada geada branca. A geada negra ocorre com ar muito seco. Não há gelo visível, mas os tecidos da planta morrem e escurecem.

Onde e quando ela aparece

As geadas são mais comuns entre o outono e o fim do inverno. As áreas de maior risco ficam no Sul, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e em Mato Grosso do Sul. Em anos de frio intenso, como 2021, elas podem chegar até o Centro-Oeste.

As lavouras mais expostas

O café é uma das culturas mais sensíveis. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), temperaturas entre -3 °C e -4 °C nas folhas matam os tecidos. No tronco, os danos podem começar a -2 °C.

O milho safrinha também corre risco onde é plantado mais tarde, como no Paraná e em Mato Grosso do Sul. O trigo é mais vulnerável na floração, quando o frio pode comprometer a espiga. A cana pode ter as folhas queimadas, e hortaliças e frutas sofrem perdas rápidas.

Alertas e proteção

O INMET emite avisos de geada em três níveis: amarelo, para perigo potencial, laranja, para perigo, e vermelho, para grande perigo. Alguns estados têm serviços próprios. No Paraná, o IDR-Paraná e o Simepar mantêm o Alerta Geada para cafeicultores entre maio e setembro.

A proteção começa no plantio. O IDR-Paraná recomenda evitar baixadas e preferir encostas voltadas para o norte, que recebem mais calor no inverno. Quebra-ventos de árvores reduzem o impacto dos ventos frios.

Em cafezais novos, as mudas de até seis meses podem ser enterradas na véspera da geada. Em plantas um pouco maiores, a técnica é o chegamento de terra, que cobre a base do tronco. Em viveiros, valem cobertura com plástico ou palha e irrigação durante a noite.

O que diz o IDR-Paraná: Em seu material técnico sobre cafezais em formação, o instituto afirma que o risco de geadas é o fator que condiciona o plantio de café no Paraná. Por isso, recomenda escolher bem o terreno e usar quebra-ventos e coberturas.

Para esta primavera, há uma notícia boa para o Sul. O Painel El Niño, do INMET e de outras instituições federais, prevê chuva e temperatura acima da média. Segundo o boletim, isso reduz o risco de geadas tardias. Ainda assim, o CPTEC/INPE não descarta quedas fortes de temperatura em setembro, com a chegada de massas de ar frio.

Fontes