Agronegócio

Do cafezal ao porto: como funciona a cadeia do café no Brasil

Arábica e conilon, estados produtores, colheita e exportação: um guia da cadeia do café, com o crédito do Funcafé e as safras da Conab.

Ilustração abstrata em tons de vermelho-brasa e dourado, com curvas que lembram fileiras de cafezal em uma encosta
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O café ocupa cerca de 2 milhões de hectares no país. São cerca de 300 mil produtores, a maioria pequenos, em perto de 1.900 municípios.

Duas espécies

O país cultiva duas espécies principais. O arábica ocupa cerca de 80% da área plantada, segundo o Mapa. Ele cresce em altitudes acima de 800 metros, sobretudo em Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e parte do Espírito Santo. Minas Gerais é o maior produtor.

O conilon, também chamado de robusta, se concentra no Espírito Santo, na Bahia e em Rondônia. Esses três estados respondem por 95% da produção nacional da espécie. O conilon é muito usado no café solúvel e em misturas com o arábica.

O arábica tem bienalidade. Isso quer dizer que um ano de safra alta tende a ser seguido por um ano de safra menor, porque a planta alterna ciclos de mais e menos produção.

Colheita e beneficiamento

No Brasil, a maior parte da colheita acontece entre maio e setembro. Depois de colhido, o café passa pela secagem. Em seguida vem o beneficiamento, que retira a casca e deixa o grão cru, chamado de café verde.

É nessa forma que a maior parte do café sai do país. O produto é vendido em sacas de 60 quilos, a unidade usada em todas as estatísticas do setor.

Venda e exportação

O produtor pode vender para cooperativas, corretores, torrefadoras ou exportadoras. Os preços seguem as bolsas internacionais. A referência do arábica é a bolsa de Nova York, e a do robusta, a de Londres.

No Brasil, a B3 negocia contratos futuros de café arábica e de café conilon. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, publica indicadores diários de preço das duas espécies.

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) reúne as empresas que vendem o grão ao exterior. A entidade divulga todo mês os números das exportações.

O crédito do Funcafé

O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) é um fundo público criado em 1986 para financiar a cadeia do café. A gestão fica com a Secretaria de Política Agrícola do Mapa. Bancos e cooperativas de crédito credenciados repassam o dinheiro a produtores, cooperativas e indústrias.

Para a safra 2026/27, o Mapa direcionou R$ 7,37 bilhões do fundo, por portaria publicada em maio. O dinheiro se divide em cinco linhas: comercialização, aquisição de café, custeio, capital de giro e recuperação de cafezais.

As estimativas da Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) acompanha a safra de café com parceiros dos principais estados produtores. A companhia publica quatro levantamentos por ano. As estimativas são revistas à medida que a colheita avança e os números ficam mais claros.

O que diz o Mapa: Em sua página sobre a cafeicultura, o ministério afirma que “o País é o maior produtor e exportador de café”. Diz ainda que o Brasil é o segundo maior consumidor mundial. As regras do Funcafé estão no capítulo 9 do Manual de Crédito Rural, segundo o Mapa.

Conhecer a cadeia ajuda a entender por que o preço do café oscila tanto. Clima, bienalidade, câmbio e bolsas lá fora pesam ao mesmo tempo. Para quem produz, acompanhar os levantamentos da Conab e as linhas do Funcafé é parte do planejamento da safra.

Fontes