Safra

Ano-safra 2026/27: o calendário agrícola e as três safras de grãos

A safra 2026/27 é plantada a partir de setembro e colhida em 2027. Veja o que separa a primeira, a segunda e a terceira safra de grãos.

Ilustração abstrata em tons de vermelho-brasa, verde e dourado, com faixas de lavoura e um calendário estilizado
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 1º de julho, começou o ano-safra 2026/27 do crédito rural. Nessa data passaram a valer os recursos do Plano Safra 2026/2027, lançado pelo governo federal em 30 de junho. O plano vale até 30 de junho de 2027.

O ano-safra é o calendário próprio da agricultura. Ele não coincide com o ano civil, que vai de janeiro a dezembro. No crédito rural, o ciclo começa em julho e termina em junho do ano seguinte.

Por que a safra tem dois anos no nome

A explicação está na chuva. Na maior parte do país, as chuvas voltam entre setembro e novembro. É quando os produtores semeiam as lavouras de verão, como a soja. A colheita fica para o começo do ano seguinte.

Por isso, a safra plantada a partir do segundo semestre de 2026 e colhida sobretudo em 2027 se chama 2026/27. A barra separa o ano do plantio do ano da colheita.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estatal que acompanha a produção agrícola, usa a mesma lógica. Pelo calendário da companhia, o último levantamento da safra de grãos 2025/26 sai em 15 de setembro. O primeiro da safra 2026/27 está marcado para 15 de outubro.

Primeira, segunda e terceira safra

Dentro de um mesmo ano-safra, a mesma terra pode produzir mais de uma vez. Por isso, a Conab separa seus números em primeira, segunda e terceira safra.

A primeira safra, ou safra de verão, é plantada com a volta das chuvas. Nela estão a soja, o milho de verão, o arroz e o feijão “das águas”. É a maior safra de grãos do país, puxada pela soja.

A segunda safra é plantada logo depois da colheita da soja, no início do ano. O principal produto é o milho, conhecido como safrinha. O apelido ficou, mas hoje a segunda safra responde pela maior parte do milho colhido no Brasil, segundo os levantamentos da Conab. Também entram nela o feijão “da seca” e o sorgo.

A terceira safra é menor e mais regional. Ela reúne o feijão irrigado de inverno, plantado em áreas com pivô central, e o milho e o feijão semeados no meio do ano no Nordeste. Nos boletins da Conab, essas lavouras aparecem sobretudo em áreas de Sergipe, Alagoas e Bahia, região conhecida como Sealba.

Há ainda as culturas de inverno, como trigo, aveia e cevada. Elas são plantadas no outono e no inverno, principalmente no Sul do país.

Por que isso importa

O calendário define quando o produtor busca crédito, compra insumos e vende a produção. Um atraso no plantio da soja, por exemplo, empurra a colheita para mais tarde e encurta a janela do milho safrinha.

O que diz a Conab: A companhia publica um levantamento mensal da safra de grãos, com estimativas de área, produtividade e produção por cultura e por safra. As datas de divulgação estão no calendário oficial de 2026, disponível no site da Conab.

Para quem acompanha o campo, vale ler as estimativas com cuidado. Quando sair o primeiro número da safra 2026/27, em outubro, boa parte das lavouras ainda nem terá sido plantada. As previsões mudam a cada mês, conforme o plantio avança e o clima confirma ou frustra as expectativas.

Fontes